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Investidor que previu crise de 2008 aposta contra Nvidia, aponta 3 alertas de Burry

Michael Burry mantém aposta contra Nvidia, aponta concentração de clientes, uso de IA inflacionado e risco de queda mais acentuada que crises anteriores

Nvidia: Michael Burry apostou contra a empresa mais valiosa do mundo (Benjamin Fanjoy /Getty Images)
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  • Michael Burry, famoso por ter previsto a crise de 2008, dobrou a aposta contra a Nvidia, com dois textos no Substack após a empresa divulgar trimestre histórico.
  • No primeiro argumento, ele aponta que os três maiores clientes respondem por 64% das contas a receber, e que o maior cliente passou a responder por mais AR, porém por menor fatia da receita; aponta risco de demanda antecipada para garantir acesso a próxima geração de chips, estimando que uma queda de 20% nesses gastos reduziria a receita total em cerca de 4,2%.
  • No segundo argumento, Burry critica o que chama de “tokenmaxxing” — prática de gestores que elevam a demanda por IA como métrica de produtividade, citando declarações de Jensen Huang e de Sam Altman; diz que é consumo excessivo não sustentável.
  • O terceiro argumento foca na mecânica do mercado: volume de negociação de Nvidia pela média móvel de 50 dias está no menor nível desde 1999; opções de venda estão mais baratas que as ações, sugerindo pouca proteção contra queda e poucos compradores na queda.
  • No mercado, 39 de 41 analistas cobertos por Wall Street recomendam compra; a ação caiu cerca de 4,3% na semana, enquanto o trimestre fiscal de 2027 registrou US$ 81,6 bilhões de receita e lucro líquido de US$ 58,3 bilhões.

Nvidia atravessa uma fase de valorização histórica, enquanto o investidor Michael Burry intensifica sua posição contra a fabricante de chips. A empresa divulgou resultados recordes, e Burry publicou dois textos no Substack alertando sobre uma queda potencial mais acentuada que a vivida em outras crises de mercado.

Burry ficou famoso por ter previsto a crise de 2008 e, desde o ano passado, opera comprado em puts da Nvidia, apostas na queda. Nesta semana, com a ação em topo e o otimismo do mercado, ele reiterou sua visão em duas mensagens amplamente reproduzidas pela imprensa financeira dos EUA.

O investidor afirmou que as condições para uma queda agressiva são tão fortes quanto em qualquer momento da história da ação, estimando que a próxima queda pode superar recuos anteriores de 56% em 2018, 67% em 2021 e 43% em 2025.

Argumento 1

O primeiro texto, divulgado na sexta-feira (23), foca nos fundamentos. Burry aponta que o relatório à SEC mostra que os três maiores clientes respondem por 64% das contas a receber, ante 56% no trimestre anterior. A descoberta aponta para concentração de demanda.

A leitura de Burry envolve que o maior cliente respondeu por uma parcela maior das contas a receber ao mesmo tempo em que representou menos da receita total, pela primeira vez em 13 trimestres. Ele cita a Microsoft como possível exemplo dessa antecipação de compras para garantir acesso à próxima geração.

Segundo ele, se a Microsoft reduzir gastos com chips Nvidia em apenas 20%, isso representaria uma queda de aproximadamente 4,2% na receita total da empresa, conforme cálculos citados pelo Stocktwits com base nos seus posts.

O argumento 2

O segundo texto, publicado na segunda-feira (26), critica o que chama de tokenmaxxing: prática de gestores que utilizam IA como métrica de produtividade para inflar a demanda por tokens. Dessa forma, a demanda por chips pode soar artificial.

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, já tinha defendido uma visão de consumo elevado de tokens; o fundador da OpenAI, Sam Altman, também apoiou uma linha semelhante. Burry afirma que o tokenmaxxing não representa uso sustentável e pode indicar hiperconsumo orientado por metas.

Para o investidor, o setor de IA estaria capitalizando a fase cara da adoção, comprometendo a avaliação de demanda futura com números que não refletem utilidade real.

O argumento 3

Além dos fundamentos, Burry aponta a mecânica do mercado. O volume diário de negociação está em patamar baixo, com a média móvel de 50 dias em menor nível desde 1999, segundo ele. A escassez de atividade de hedge seria um sinal de vulnerabilidade a quedas.

Ele também destaca que as opções de venda da Nvidia estão relativamente baratas frente a ações comparáveis, sugerindo pouca proteção de investidores contra movimentos descendentes. Em caso de venda generalizada, o investidor vê poucos compradores prontos para absorver a queda.

O que o mercado acha

Entre as 41 casas de análise que cobrem a Nvidia, 39 recomendam compra, 1 mantém neutra e 1 aponta venda, segundo o TipRanks. A ação chegou a recuar na semana passada, apesar do otimismo entre o varejo, que diverge das avaliações de Burry.

Mesmo com resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027 divulgados, com receita de 81,6 bilhões de dólares e lucro de 58,3 bilhões, a avaliação permanece sob escrutínio. A discussão envolvia se a demanda que sustenta esses números é estrutural ou temporária.

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