- O diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou que o mercado cambial brasileiro deixou de ser espaço para hedge cambial como no passado, em evento no Pine Macro Day, em São Paulo.
- O real é visto como refletindo o humor geral do mercado, e não há certeza se essa mudança é temporária.
- Mesmo com juros restritivos, a moeda brasileira deixou de atuar como hedge geral no último ano. O real também se manteve com baixa volatilidade diante do tarifaço e do conflito no Oriente Médio.
- Os estrangeiros são players relevantes, assumem riscos maiores e, mesmo com apenas dez por cento da dívida, respondem por mais de cinquenta por cento do risco de juros.
- O investidor local não tem apetite para risco no trecho mais longo da curva, e fundos multimercados perderam fatia relevante de ativos nos últimos anos.
O Banco Central explicou que o real deixou de funcionar como hedge generalizado no mercado de câmbio, tendência destacada pelo diretor de política monetária Nilton David. A afirmação foi feita durante o Pine Macro Day, em São Paulo.
David destacou que o real costuma servir como pivô de balanceamento de risco para gestores externos, refletindo o humor do mercado. Segundo ele, essa característica ficou mais evidente nos últimos tempos.
O diretor ressaltou que o regime de juros atual é restritivo, o que reforça a mudança de função da moeda brasileira. O real teve baixa volatilidade ao redor do tarifaço e, mais recentemente, diante do conflito no Oriente Médio.
Análise de mercado e perfis de investidor
Em relação aos investidores, David apontou que estrangeiros continuam relevantes, assumindo riscos maiores, mesmo com participação de apenas 10% da dívida. Eles respondem por parcela expressiva do risco de juros da dívida.
Para o investidor local, a situação é diferente. O diretor destacou que o apetite por risco na parte longa da curva é menor entre os brasileiros, que evitam posições de maior duração.
David também mencionou que os fundos multimercados perderam parte relevante de ativos nos últimos anos, recuando quase pela metade em um período de seis anos.
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