- O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, disse que as fake news sobre monitorar o PIX foram falsas e beneficiaram facções criminosas.
- As boatos surgiram quando a Receita ampliou a obrigação de fintechs e bancos digitais de repassar informações financeiras, com regra de prestação de contas de movimentações acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para jurídicas.
- A operação Fluxo Oculto apura que seis fintechs lavaram dinheiro para o Primeiro Comando da Capital, movendo R$ 26 bilhões entre 2022 e 2024, incluindo ao menos R$ 1 bilhão em dinheiro vivo e R$ 365 milhões em criptoativos.
- Após a operação Carbono Oculto, o Banco Central determinou que fintechs declarassem movimentações em contas-bolsão; três não prestaram contas e outras três declararam movimentação de cerca de R$ 8 bilhões em 2025.
- A crise do PIX gerou vídeos virais, levou Haddad e a Receita a revogar a resolução e a AGU pediu investigação sobre a disseminação da desinformação por atrelá-la a golpes.
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que as fake news de monitoramento do PIX prejudicaram facções criminosas. A alegação ocorreu durante entrevista coletiva do Ministério Público de São Paulo, em 28 de maio, sobre o caso Fluxo Oculto.
Segundo Barreirinhas, a ideia de que o órgão iria monitorar e tributar o PIX foi propagada na web após uma norma ampliar a obrigação de repasse de informações sobre transações para fintechs e bancos digitais. A regra previa o reporte mensal de movimentações acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para jurídicas.
Ele afirmou que a edição regulatória visava fechar lacuna do SFN e prevenir ilícitos, mas gerou boatos que teriam ajudado organizações criminosas a explorar as fintechs para lavagem de dinheiro. Barreirinhas destacou que parte das fake news voltou a circular com novos alvos.
Fluxo de informações e desdobramentos
A operação Fluxo Oculto, deflagrada no estado de São Paulo e em outros estados, revelou seis fintechs envolvidas na lavagem de dinheiro para o PCC. As investigações indicam movimentação de aproximadamente R$ 26 bilhões entre 2022 e 2024, comR$ 1 bilhão em dinheiro vivo e R$ 365 milhões em criptoativos.
A PF, em conjunto com o Ministério Público, apura como as fintechs teriam feito operações para mascarar origens de recursos após a operação Carbono Oculto, que bloqueou empresas do setor. O Banco Central já havia proibido, em seguida, contas-bolsão após a falta de transparência.
De acordo com a Receita, três fintechs não prestaram contas sobre investimentos, enquanto outras três declararam movimentação de cerca de R$ 8 bilhões em 2025. A afirmação reforça a necessidade de maior governança no segmento, segundo o órgão.
Contexto regulatório e resposta institucional
A defesa da Receita destacou que a fiscalização anterior permitia grande espaço para ausência de deveres similares aos bancos tradicionais. Barreirinhas frisou que o trabalho foi possível também graças aos dados fornecidos por fintechs e pela E-financeira.
Após a crise do PIX, o governo recuou em medidas de fiscalização e editou uma medida provisória para impedir tributo sobre transferências via PIX. A AGU acionou a PF e a Senacon para investigar a disseminação de desinformação, que, segundo autoridades, poderia ferir a ordem econômica.
Este conjunto de ações mostra a busca por equilíbrio entre regulação eficaz, transparência de operações e combate à lavagem de dinheiro no ecossistema financeiro nacional. As apurações continuam em andamento.
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