- A Receita Federal afirma que uma fintech da região da Avenida Brigadeiro Faria Lima movimentou sozinha mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, sem divulgar o nome da empresa.
- Os relatos apontam movimentações atípicas que totalizam quase R$ 26 bilhões, com fintechs atuando como dutos financeiros e uso de contas-bolsão e contas gráficas para ocultar o dinheiro.
- A operação Fluxo Oculto, segunda fase da Carbono Oculto, cumpriu 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
- O inquérito mostra que as fintechs criaram contas-bolsão em bancos tradicionais para centralizar recursos, mantendo apenas a fintech como titular e dificultando a identificação de beneficiários.
- Em uma frente da apuração, a chamada máfia do nafta envolve desvio de mais de 135 milhões de litros de nafta, emissão de notas fiscais falsas e uso de empresas de fachada, com prejuízo fiscal estimado em mais de R$ 200 milhões.
Na manhã desta quinta-feira, 28, a Operação Fluxo Oculto, nova fase da Operação Carbono Oculto, cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. A ação envolve a Receita Federal e o Gaeco do Ministério Público de São Paulo, com foco em fintechs ligadas a um esquema de lavagem de dinheiro associado ao PCC. Em relatório inicial, autoridades apontam movimentações atípicas que somam quase 26 bilhões de reais, com destaque para uma fintech que movimentou sozinha mais de 1 bilhão em dinheiro vivo, o que contradiz o funcionamento esperado desse tipo de empresa.
Os investigadores identificaram que o grupo utilizava fintechs e plataformas de pagamento como dutos financeiros para ocultar recursos ilícitos. O objetivo principal era desviar valores relacionados a atividades criminosas, incluindo adulteração de combustíveis e sonegação fiscal. As apurações também revelam redes de laranjas, empresas de fachada e reorganização societária para dificultar o rastreamento de origem e destino dos recursos.
Entre os itens de maior relevância, está o acesso a contas gráficas, registros internos vinculados às chamadas contas-bolsão. Nessas contas, as fintechs centralizam fundos em bancos tradicionais, dificultando a identificação do real titular do dinheiro. A análise aponta que, quando o recurso chega à conta bolsão, o banco não tem visibilidade do CPF ou CNPJ do depositante, configurando um mecanismo de ocultação contábil.
Nova fase da operação
A investigação aponta que o grupo investiu em ampliar operações após deflagração anterior, com concentração de movimentações em dezenas de postos. Houve migração de recursos entre várias fintechs e criação de novas empresas de fachada para substituir as já identificadas pelas autoridades. A organização é associada ao PCC e mantém vínculos com o setor de combustíveis, incluindo postos e distribuidores.
O material apreendido inclui documentos, registros internos de transações e notas fiscais falsas usadas para simular operações de venda de nafta. Ao todo, o Ministério Público indica desvios de mais de 135 milhões de litros de Nafta em pouco mais de dois anos, com prejuízos estimados em tributos de mais de 200 milhões de reais. Entre as empresas ligadas às operações, destacam-se produtores, distribuidoras e terminais envolvidos na cadeia de abastecimento.
Máfia do nafta
A operação também foca na atuação de grupos que adulteram combustíveis, desviando solventes petroquímicos importados para serem revendidos como gasolina. O esquema utilizava notas fiscais falsas para simular transações de compra de nafta entre empresas de fachada, com operações logísticas complexas e uso de laranjas para registrar atividades inexistentes.
As investigações indicam que parte do dinheiro é movimentada por meio de fundos de investimento em direitos creditórios não padronizados (FIDC-NP), que servem como camada final de lavagem. Os financiadores e beneficiários aparecem em fundos como Zeus FIDC-NP, Gran Capital FIDC-NP e FIDC DB Crédito Global, com registros que apontam para gestores de carteiras, instituições e operadores de pagamento.
Desdobramentos e números
A apuração aponta que o bloqueio de bens visa o patrimônio líquido dos fundos usados como dutos, com valores estimados em dezenas de milhões de reais. Entre os nomes citados pela investigação estão figuras ligadas a empresas de pagamento, institucionais e pessoas físicas envolvidas na Nova Rubília Instituição de Pagamento e na distribuidora Saara. A defesa dos investigados não foi localizada até o momento.
O Ministério Público e a Receita Federal mantêm o andamento das buscas e a coleta de provas para esclarecer a estrutura do esquema, o elo com o PCC e a extensão das operações. As informações oficiais sinalizam continuidade das apurações até o esgotamento de elementos que comprovem os crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis.
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