- O Ministério Público de São Paulo definiu a operação Fluxo Oculto para investigar o uso de fintechs pelo PCC na lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e armas.
- Nesta etapa, são apuradas seis fintechs que teriam começado a ser usadas após o bloqueio ou liquidação das empresas anteriores; os nomes não foram divulgados.
- O MPSP aponta um núcleo financeiro utilizado para compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, entre empresas e fundos de investimentos da organização, além de pagamentos de gastos de operadores.
- Na Carbono Oculto, ficou evidenciado que o PCC tinha cerca de R$ 30 bilhões investidos em 40 fundos geridos por fintechs da Avenida Faria Lima, com indícios de conhecimento da origem ilícita.
- A lavagem seria feita por meio de contas bolsão, usadas para reunir recursos de diversos clientes em uma única conta; o Banco Central já havia restringido essa prática, mas investigações indicam continuidade. São cumpridos 55 mandados de busca e apreensão.
O Ministério Público de São Paulo deflagrou nesta quinta-feira a operação Fluxo Oculto, que mira o uso de fintechs pela facção PCC para lavar dinheiro do tráfico de drogas e armas. A ação é um desdobramento da operação Carbono Oculto, ocorrida em agosto do ano passado.
Na nova fase, promotores investigam seis fintechs que teriam passado a ser usadas pelo PCC após o bloqueio ou fechamento das empresas analisadas anteriormente. Os nomes das companhias ainda não foram tornados públicos.
Segundo o MP, um núcleo financeiro da organização realiza compensações financeiras entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, entre empresas e fundos de investimentos administrados pela facção. Em resumo, tratam-se de pagamentos de colaboradores e gastos pessoais dos operadores.
Desdobramentos e alcance da operação
Durante a Carbono Oculto, apurou-se que o PCC possuía cerca de 30 bilhões de reais investidos em 40 fundos geridos por fintechs da região da Avenida Faria Lima, em São Paulo, considerada o centro do mercado financeiro no país. As investigações indicaram que administradoras sabiam da origem ilícita dos recursos, mas omitiram informações para dificultar o rastreamento.
A lavagem, segundo as investigações, envolvia contas bolsão em fintechs que operam com baixa transparência, reunindo recursos de diversos clientes em uma única conta para facilitar a compensação no SFN. Mesmo após a proibição pelo Banco Central, apontou-se que esse mecanismo continuou operando de formas diferenciadas.
Ao todo, a ação Fluxo Oculto cumpre 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Participam Gaeco, Receita Federal, ANP, Secretaria da Fazenda de SP, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil.
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