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Transmissão é peça-chave na corrida energética do Brasil

Transmissão vira peça-chave da transição energética, com gargalo que pode frear renováveis e demanda de data centers, mesmo com cerca de R$ 96 bilhões em investimentos

Transmissão de energia: rede elétrica precisa acompanhar avanço renovável no Brasil. (HITACHI/Divulgação)
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  • O Brasil já produz energia renovável em grande escala, mas a transmissão precisa acompanhar a demanda, com investimentos estimados em cerca de R$ 96 bilhões entre 2023 e 2026.
  • O tema foi debatido no evento Redes do Amanhã, da EXAME em parceria com a PSR, com participação de representantes da EPE, Abdib, Hitachi Energy e PSR.
  • A Hitachi Energy está construindo uma nova fábrica de transformadores em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, com investimento de cerca de US$ 200 milhões; aproximadamente 80% do montante será destinado à nova unidade, visando dobrar a capacidade no país.
  • Além disso, a empresa anunciou mais cerca de US$ 161 milhões para expandir unidades na América Latina, incluindo Dosquebradas, em Colômbia, e acelerar o crescimento de Pindamonhangaba e Guarulhos no Brasil, com um Centro de Serviços previsto.
  • A demanda de data centers e IA aumenta a pressão sobre a transmissão, com estimativas de que o Brasil possa ter até 25 gigawatts de cargas associadas a data centers no Plano Decenal 2035, enquanto projetos de transmissão tendem a levar anos para sair do papel.

O Brasil já produz energia renovável em larga escala, mas precisa levar essa energia até a demanda crescente. A expansão de fontes eólicas e solares, a eletrificação e o aumento de cargas como data centers aceleram a necessidade de transmissão robusta.

Em evento da EXAME em parceria com a PSR, especialistas defenderam que a transmissão passa a ser núcleo da transição energética no país. Participaram representantes da EPE, Abdib, Hitachi Energy e PSR.

O painel Perspectivas regulatórias e de investimentos para a transmissão de energia enfocou a necessidade de combinar planejamento, tecnologia, regulação e indústria para evitar gargalos. O encontro contou com Amanda Fernandes como moderadora.

Glauco Freitas, presidente da Hitachi Energy no Brasil, ressaltou a importância de planejamento transparente e de uma visão sistêmica da infraestrutura, conectando energia, transportes e portos para atrair investimentos. Estiveram também Thiago Dourado Martins, da EPE, e Carlos Adolfo Pereira, da Abdib.

A chamada janela de oportunidade inclui empresas eletrointensivas que buscam energia renovável competitiva. A discussão destacou que o ritmo das obras precisa acompanhar o crescimento das fontes, sob pena de deixar a rede como obstáculo ao desenvolvimento.

Investimento e expansão da produção local

A Hitachi Energy atua para atender à demanda com produção local. A empresa está instalando uma nova fábrica de transformadores em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, com investimento de cerca de US$ 200 milhões, anunciado em 2024. 80% do montante será destinado à unidade.

Durante o ano, a empresa também divulgou investimento adicional de aproximadamente US$ 161 milhões na América Latina, incluindo expansão de plantas na Colômbia e no Brasil, com foco em transformar e em acelerar operações em Pindamonhangaba e Guarulhos e em um Centro de Serviços no país. As obras têm conclusão prevista para 2028.

Tecnologia e infraestrutura para rede

O debate abordou ainda propostas para modernizar a rede com tecnologias como compensadores síncronos, baterias, sistemas FACTS e DLR. Tais soluções visam maior estabilidade e flexibilidade para integrar renováveis, data centers e IA à rede.

Thiago Dourado Martins, da EPE, explicou que o planejamento precisa reduzir o intervalo entre implantação de fontes e de infraestrutura. Enquanto projetos renováveis podem entrar em operação em até 3 anos, obras de transmissão demandam em média 5 anos.

Estudos da EPE apontam investimentos em torno de R$ 60 bilhões no período 2021-2022, com mais de 15 mil quilômetros de linhas e um bipolo de corrente contínua. Licitações de 2023 e 2024 devem levar as obras à operação entre 2028 e 2030.

Carga adicional e regionalização

O Nordeste ao Sudeste figura como eixo do escoamento, com projeto de bipolo Angicos–Itaporanga 2, de cerca de 2,5 mil quilômetros, usando tecnologia VSC. O investimento estimado é de R$ 30 bilhões, com licitação prevista para 2027.

No Plano Decenal 2035, a EPE mapeou cerca de 25 GW de cargas potenciais associadas a data centers, com espaço para 9 GW em São Paulo. A meta é ampliar conectividade, confiabilidade e competitividade da energia renovável brasileira.

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