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A produção diária de dados: invisível e monumental no cotidiano

Dados do cotidiano movem o setor privado, enquanto o setor público avança lentamente; governança, privacidade e infraestrutura são-chave para transformar dados em políticas urbanas

Vista noturna da cidade de São Paulo, com dois edifícios em formato de torre iluminados no topo, destacando-se entre os demais prédios residenciais e comerciais com janelas acesas, sob um céu escuro
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  • Diariamente são gerados cerca de 2,5 quintilhões de bytes de dados, em grande parte lapidados pelo setor privado.
  • Plataformas digitais usam esses dados para prever interesses e personalizar conteúdos.
  • O setor público ainda avança lentamente na adoção de big data, IA e aprendizado de máquina para transformar informações em políticas públicas.
  • Os dados têm potencial para melhorar gestão urbana: trânsito, enchentes, serviços públicos e resposta a emergências, se usados de forma integrada.
  • Três frentes são essenciais: governança (privacidade e acesso), capacitação (conhecimento estratégico no setor público) e infraestrutura/interoperabilidade entre sistemas.

A produção cotidiana de dados tornou-se um elemento central da vida urbana. Milhões de pessoas se conectam aos dispositivos ao acordar, geram informações sobre sono, saúde, trânsito e consumo, muitas vezes sem perceber.

Cada toque na tela, cada navegação e cada compra online criam um rastro de dados. Aplicativos, relojes inteligentes e plataformas registram hábitos, preferências e trajetos, alimentando uma narrativa detalhada sobre o dia a dia.

O volume é expressivo: cerca de 2,5 quintilhões de bytes de dados são gerados a cada dia. O setor privado lidera o processamento, transformando esses dados em previsões e conteúdos personalizados.

Essa construção de valor ainda depende de incertezas: o que realmente representa esse valor estratégico, quem controla os dados e quais limites de privacidade devem existir? A transparência e a segurança precisam ganhar espaço.

No Brasil, o avanço da governança de dados ainda é desigual entre setores. O privado já utiliza ferramentas de big data, IA e machine learning para prever comportamentos, enquanto o público caminha com passos mais lentos.

Governança de dados

Quem pode acessar as informações, como protegê-las e evitar discriminação algorítmica são perguntas centrais. Regulamentação eficaz e fiscalização aparecem como pilares necessários.

Desafios para o setor público

Há falta de capacitação sobre o potencial dos dados na gestão pública. A interoperabilidade entre sistemas e a visão integrada de problemas urbanos são obstáculos que precisam de soluções rápidas.

A visão de cidade inteligente não se resume a tecnologia, mas à aplicação prática dos dados para melhorar a vida das pessoas: tráfego, enchentes, atendimento público e planejamento urbano.

Para que isso ocorra, são essenciais três frentes: governança robusta, capacitação constante e infraestrutura com integração entre sistemas. Sem isso, o potencial permanece subutilizado.

A grande questão atual não é apenas gerar dados, mas transformá-los em desenvolvimento urbano tangível e na melhoria da qualidade de vida.

Amanhã, a rotina diária tende a se repetir, com dados seguindo o mesmo fluxo de sempre. O desafio é tornar esse fluxo mais transparente, seguro e útil para toda a cidade.

  • Mauricio Bouskela e Adriano Borges Costa coordenam o Núcleo Economia Urbana, Cidades Inteligentes e Big Data do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper.

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