- A Alemanha discute aumentar a contribuição previdenciária de quem não tem filhos, alegando maior custo de criação de filhos e maior contribuição futura dos pais ao sistema.
- A proposta, apoiada pela Junge Union (JU), braço jovem da CDU do chanceler Friedrich Merz, sugere aumento de 1 ponto percentual para quem não tem filhos, com 0,5 ponto a mais para quem tem apenas um filho.
- A ideia busca compensar a vantagem de quem não tem filhos e equilibrar o sistema previdenciário, já que pais geram renda para futuros contribuintes.
- Em média, um filho custaria cerca de 150 mil euros aos pais, segundo o economista Bernd Raffelhüschen, conforme entrevista à MDR.
- Críticas vêm de lideranças sindicais e especialistas, que dizem que a medida não resolve a crise previdenciária e que causas da não parentalidade são complexas.
Nesse momento, a Alemanha discute uma mudança no sistema previdenciário visando ampliar a contribuição de quem não tem filhos. A proposta foi apresentada pela Junge Union, braço jovem da CDU, e ganhou espaço no debate público.
A ideia é cobrar uma alíquota previdenciária maior de pessoas sem filhos, com um ponto percentual acima da contribuição de quem tem dois ou mais filhos. Quem tem apenas um filho ficaria com 0,5 ponto percentual a mais, segundo o documento divulgado pelo jornal Das Bild.
A justificativa é que pais investem mais recursos na criação de futuros contribuintes para a aposentadoria. Economista Bernd Raffelhüschen estima que a criação de um filho envolve aproximadamente 150 mil euros em média.
Atualmente, o sistema já reconhece o tempo dedicado às crianças por meio da Mütterrente, que acrescenta pontos à aposentadoria. O acréscimo médio é de cerca de 120 euros por mês, mas especialistas contestam que o valor compense a perda de renda durante a criação dos filhos.
Dados do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica, citados pelo Frankfurter Allgemeine, mostram que mulheres com filhos, nascidas entre 1952 e 1959, tinham 18% menos direitos de aposentadoria em média em relação àquelas sem filhos. A diferença tende a diminuir nas gerações futuras, mas ainda persiste.
Historicamente, a discussão ocorre em um contexto de envelhecimento da população. Em 2025, a taxa de natalidade na Alemanha atingiu o menor nível desde 1946, com cerca de 654 mil nascimentos, frente a 1 milhão de óbitos. A proporção de trabalhadores por aposentado caiu para dois por um.
Críticas à proposta chegam de diferentes setores. Líderes sindicais afirmam que aumentar a contribuição de quem não tem filhos não resolve a crise da previdência e alertam para causas diversas da decisão de ter filhos. Economistas questionam o efeito prático em 30 anos.
Entre os opositores, há ainda parlamentares da coalizão que defendem o equilíbrio do sistema já existente. O argumento é que benefícios e contribuições já contemplam contribuições reconhecidas aos pais, sem penalizar quem não tem filhos pela escolha de não formar família.
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