- O Brasil cresceu 1,1% no trimestre e 2% em quatro trimestres; investimentos em bens de produção somaram 16,5% do PIB, equivalente a R$ 535,2 bilhões, segundo o IBGE.
- Outros emergentes investem pelo menos 18% do valor da produção, com muitos em torno de 22% e alguns acima disso; China e Índia chegam a aproximadamente 30%.
- O consumo das famílias avançou 1% no trimestre, com melhoria de 1,2% em 12 meses; o consumo do governo aumentou 2,3% em quatro trimestres.
- Dados indicam endividamento maior no setor privado, crédito ainda caro e inadimplência em ascensão; governo oferece auxílio a famílias endividadas.
- A taxa de desemprego foi de 5,8% no periodo fevereiro-abril, menor desde 2012; projeções apontam crescimento próximo de 2% e inflação acima da meta, com o Banco Central podendo manter juros altos.
O Brasil encerrou mais 3 meses com crescimento próximo do nível de países mais ricos, registrando avanço de 1,1% frente ao trimestre anterior e 2% em 4 trimestres. O foco, porém, permanece no baixo investimento em bens de produção.
O valor aplicado em máquinas, equipamentos, instalações produtivas e infraestrutura ficou em 535,2 bilhões de reais, equivalentes a 16,5% do PIB, de acordo com o IBGE. Em comparação, emergentes investem pelo menos 18% da produção, com muitos na faixa de 22%.
O desempenho do consumo das famílias superou 1% em relação ao trimestre anterior, com ganho de 1,2% em 12 meses. Já o consumo do governo, dedicado a despesas de custeio, cresceu 2,3% em quatro trimestres.
Especialistas apontam que o crédito permanece caro e com inadimplência alta, compondo um cenário de endividamento. O governo tem feito programas de alívio a famílias endividadas, mas o crédito continua restrito para muitos consumidores.
A crise de endividamento é associada a déficits de educação financeira, segundo debates públicos. Dados do Estadão indicam 13 pronunciamentos presidenciais estimulando o consumo para impulsionar a atividade econômica, aumentando, assim, o endividamento e a inadimplência.
O mercado de trabalho apresentou melhoria no início deste ano, com a taxa de desemprego entre fevereiro e abril em 5,8%, a menor para esse período desde 2012. Ainda assim, projeções indicam crescimento próximo de 2% e inflação acima do teto de 4,5%.
Caso a inflação se mantenha acima do esperado, o Banco Central pode enfrentar dificuldades para reduzir a taxa básica de juros, atualmente em 14,5%. As autoridades devem manter o olhar na gestão das contas federais e no cenário externo volátil.
Desempenho do investimento e perspectivas macro
A diferença entre o Brasil e pares emergentes permanece, com investimentos como proporção do PIB ficando abaixo de organismos que já chegam a 30% em outras economias. Especialistas discutem se a evolução recente sugere melhora ou apenas manter a recuperação lenta.
Inflação, juros e cenário externo
As pressões inflacionárias devem ser monitoradas com atenção pelas autoridades, enquanto o cenário internacional conturbado impõe cautela na política monetária. O ajuste fiscal e as contas públicas aparecem como fatores-chave para o desempenho macro no curto prazo.
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