- A pesquisa do Banco Central Europeu aponta que consumidores da zona do euro ficaram mais sensíveis a choques econômicos por causa da guerra no Irã, além do conflito na Ucrânia.
- Mesmo com a inflação ainda em torno de 2%, os consumidores passaram a prestar mais atenção às mudanças de preços desde o início do conflito no Irã.
- Quase metade dos entrevistados em março de 2026 está atento a variações de preços, nível não muito diferente de janeiro de 2023, quando a inflação era alta.
- Economistas descrevem isso como uma “cicatriz dupla” que pode se reforçar e influenciar expectativas e comportamento dos consumidores nos próximos meses.
- As cicatrizes representam memórias de estresse financeiro que elevam a sensibilidade a novos choques, segundo o BCE.
Os consumidores da zona do euro passaram a reagir mais rapidamente à turbulência geopolítica, especialmente após a escalada no Irã, segundo pesquisa do Banco Central Europeu (BCE) divulgada nesta sexta-feira. O estudo aponta que o impacto econômico pode ser profundo e rápido.
A crise energética e a inflação associada à guerra na Ucrânia já afetavam o cenário europeu desde 2022. Com o conflito iraniano, iniciado após ataques aéreos em 28 de fevereiro, a interrupção no fornecimento de energia ganhou novo impulso.
Dados da pesquisa de Expectativas do Consumidor revelam que, mesmo com a inflação ainda perto de 2%, os europeus passaram a acompanhar mais de perto as mudanças de preços. Quase metade dos entrevistados já estava atento a preços em março de 2026.
Impacto no comportamento do consumidor
Economistas do BCE destacam que as “cicatrizes” do choque energético e da incerteza macroeconômica podem se reforçar mutuamente. As memórias de estresse financeiro elevam a sensibilidade a novos choques, segundo o blog do BCE.
O estudo sugere que as expectativas de preço e as decisões de consumo podem permanecer influenciadas nos próximos meses. A pesquisa usa dados da própria área do euro para mapear esse comportamento.
Os autores ressaltam que as conclusões ainda não representam a opinião oficial do BCE, mas indicam uma possível mudança estrutural no modo como consumidores respondem a conflitos geopolíticos e choques econômicos.
Entre na conversa da comunidade