- Moody’s aponta que os impactos indiretos do conflito no Estreito de Ormuz devem persistir até, no mínimo, o outono de 2026, passando pela alta de energia, aperto financeiro global e menor apetite a risco, sem vínculos diretos de comércio com o Golfo.
- Setores latino-americanos mais vulneráveis são aviação, petroquímica, construção e, no campo agrícola, diante de custos de energia e de fertilizantes mais altos.
- No Brasil, Petrobras, Ecopetrol e Pemex têm benefícios contidos por reajustes internos, enquanto companhias aéreas e cimenteiras podem repassar parte dos custos, com margens pressionadas.
- A inflação na região segue alta: Brasil, 4,4% em abril de 2026; Colônia, 5,7%; México, 4,5%; Peru, 3,7%, elevando o desafio fiscal e o dilema entre subsídios e reajustes.
- Os bancos são vistos como mais protegidos, com boa capitalização e liquidez; o principal risco é inflacionário prolongado que eleva juros e afeta renda, além de possíveis impactos no consumo.
A Moody’s Ratings afirmou que os impactos indiretos do conflito no Estreito de Ormuz já afetam o crédito na América Latina, mesmo sem importar petróleo em volume significativo. A projeção é de continuidade da disrupção até o outono de 2026, com pressão maior por energia e condições financeiras globais mais restritas.
Segundo a agência, os canais de contágio para a região envolvem alta dos preços de energia, aperto financeiro global e menor apetite por risco dos investidores. Não há vínculos diretos de comércio com o Golfo Pérsico que expliquem o efeito, mas sim efeitos indiretos no custo de insumos e financiamento.
Entre os setores mais impactados, a Moody’s aponta vulnerabilidade de companhias que consomem muito combustível, como aviação, indústria química e construção. A volatilidade de custos impacta margens e fluxo de caixa, ainda que haja espaço para repasses de preço em parte do varejo.
Inflação e cenário macro
No setor de aviação, há sensibilidade ao preço do combustível, com capacidade de ajuste limitado pela competição. Em petroquímicas, oferta restrita eleva preços de polímeros, melhorando margens no curto prazo, mas com demanda incerta. Empresas mexicanas como Alpek e Orbia aparecem com perspectivas negativas, enquanto a Votorantim Cimentos brasileira figura com perspectiva estável.
No petróleo, exportadores como Petrobras, Ecopetrol e Pemex registram ganhos em receitas com preços mais altos, mas restrições de reajuste interno limitam benefícios. Produtores agrícolas enfrentam custos maiores de fertilizantes e menor margem, impactando especialmente Brasil e Argentina, por dependência de importações e impostos, respectivamente.
Inflação elevada é desafio fiscal: abril de 2026 mostrou IPCA de 4,4% no Brasil, 5,7% na Colômbia, 4,5% no México e 3,7% no Peru. O repasse de custos de combustíveis pode aumentar tensões sociais, enquanto subsídios elevam déficits. O crescimento foi revisado: Brasil 1,8%, México 0,9% e Argentina 3,2%.
Bancos e infraestrutura
No setor de infraestrutura, geradoras de energia no Chile e Colômbia aparecem como mais vulneráveis a custos de GNL. Caso El Niño se confirme, o custo de despacho térmico pode subir. No México, a CFE tem contratos de longo prazo com repasse de custos, atenuando impactos. Rodovias e aeroportos devem sentir demanda menor, com restrições políticas limitando reajustes de tarifas.
Para os bancos, a Moody’s vê o setor como o menos exposto ao Oriente Médio. Alta capitalização, liquidez e portfólios diversificados ajudam a absorver choques externos. O principal risco costuma vir da inflação persistente mantendo juros elevados, afetando renda das famílias e inadimplência. No Brasil, a Selic está em 14,50% ao ano; no México, o crédito ao consumidor pode limitar reajustes de juros caso a inflação não ceda.
De modo geral, a Moody’s conclui que a disrupção no Estreito de Ormuz não sinaliza deterioração imediata do crédito soberano, mas exige monitoramento contínuo de inflação, subsídios e financiamento externo.
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