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Dólar pode ter avanço de maio passageiro, dizem estrategistas de Wall Street

Estrategistas de Wall Street projetam recuo do dólar global, com queda superior a 1% até o terceiro trimestre e 2% até o quarto

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  • Estrategistas de Wall Street veem o rali do dólar em maio como passageiro e esperam queda do índice do dólar: mais de 1% até o terceiro trimestre e 2% até o quarto, segundo projeções compiladas pela Bloomberg.
  • O índice Bloomberg Dollar Spot subiu 0,6% em maio, impulsionado pela expectativa de altas de juros nos EUA até o início de 2027.
  • Foco dos bancos Morgan Stanley e Wells Fargo passa a ser a possibilidade de grandes bancos centrais elevarem juros de forma mais agressiva, enquanto o acordo entre EUA e Irã enfraquece o apelo do dólar como ativo-refúgio.
  • Expectativa de convergência de políticas monetárias — BCE e Banco do Japão podem subir juros mais perto dos EUA — tende a sustentar as moedas globais diante do dólar, utilizando um cenário de juros mais próximos.
  • Mercados de opções permanecem incertos no curto prazo; fundos alavancados elevaram posições compradas em dólar para US$ 16,5 bilhões na semana encerrada em 26 de maio.

O dólar encerrou maio com avanços modestos ante outras moedas, mas o rali vem sendo questionado por estrategistas de Wall Street. Dados compilados pela Bloomberg indicam que o índice global do dólar deve cair mais de 1% até o terceiro trimestre e cerca de 2% até o fim do ano, mesmo com perspectiva de juros mais altos nos EUA.

O Bloomberg Dollar Spot Index subiu 0,6% em maio, impulsionado pela expectativa de que o Fed eleve juros até 2027. Ainda assim, o indicador ficou longe de fechar acima da média móvel de 200 dias desde abril, marco marcado pelo anúncio de cessar-fogo com o Irã.

Para o Morgan Stanley e a Wells Fargo, o foco desloca-se para cenários em que grandes bancos centrais adotem maiores aperitivos de juros. Enquanto isso, o otimismo com acordo entre EUA e Irã reduz a demanda por o dólar como ativo de refúgio.

A visão de Wall Street é de queda do dólar ante a maior parte das principais moedas ao longo do período. Estimativas indicam queda de mais de 1% até o terceiro trimestre e de cerca de 2% até o quarto, com o atual ciclo de alta de juros não suficiente para sustentar o avanço da moeda norte-americana.

Especialistas destacam que a valorização do dólar frente a pares vem sendo limitada por potenciais impactos de ações em IA e semicondutores nos EUA, o que pode expor o dólar a riscos de recuo. A convergência de políticas entre EUA, Europa e Japão também deve pesar.

Mercados de opções mostram incerteza de curto prazo, enquanto contratos de longo prazo exigem prêmio para proteção contra novos ganhos. Dados da CFTC sinalizam que fundos alavancados ampliaram posições compradas em dólar para 16,5 bilhões de dólares na semana até 26 de maio, nível mais alto desde 7 de abril.

Entre especialistas, a expectativa é de que o dólar encontre resistência maior frente a moedas de economias com crescimento estável e políticas monetárias mais próximas às dos EUA. A leitura sugere um cenário de correção após recentes altas.

Ainda segundo estudos, o diferencial de juros entre EUA e o resto do mundo tende a encolher nos próximos meses. Os bancos centrais da Europa e do Japão devem subir juros em ritmo próximo ao dos EUA, contribuindo para a tendência de enfraquecimento da moeda norte-americana.

Na sexta-feira, analistas destacaram que o panorama macro sugere menor probabilidade de o dólar manter ganhos amplos, principalmente diante de um período sazonal historicamente desfavorável para posições compradas na moeda.

Perspectivas e indicadores

  • Estrategistas avaliam que a recuperação do dólar pode enfrentar resistência frente a sinais de convergência monetária global.
  • O período de junho a julho costuma trazer volatilidade adicional para posições em dólar, segundo analistas.
  • Dados do mercado de câmbio apontam maior atenção dos investidores a cenários de juros globais, com foco em risco de reversões.

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