- O Conselho Alemão de Especialistas Econômicos reduziu as previsões: PIB deve crescer 0,5% neste ano e 0,8% no próximo, com inflação de 3% em 2026.
- As autoridades apontam dificuldades para recolocar a economia no caminho prometido pelo governo de Merz.
- Preços de energia sobem, pressionando a inflação e a competitividade alemã, especialmente por ser exportadora e importadora de combustíveis.
- O envelhecimento da população aumenta custos com saúde e cuidados de longo prazo; a taxa de contribuição aos seguros sociais pode superar 50% até 2040.
- O déficit orçamentário deve ficar em 3,7% do PIB neste ano e 4,3% em 2027, acima dos 3% da regra de estabilidade da União Europeia.
O Conselho Alemão de Especialistas Econômicos reduziu as previsões de crescimento da Alemanha e apontou inflação elevada e pressões estruturais que freiam a recuperação prometida pelo governo de Friedrich Merz. O grupo entregou a avaliação na quarta-feira, 27 de maio, após reunião com o chanceler.
Segundo a presidente do Conselho, Monika Schnitzer, o PIB deve crescer 0,5% neste ano e 0,8% em 2027. A inflação, por sua vez, pode chegar a 3% em 2026. Os números contrastam com as promessas do governo de colocar a economia nos trilhos desde maio de 2025.
Frustração empresarial acompanha o diagnóstico. Associações industriais afirmam que a posição competitiva da Alemanha nunca esteve tão fragilizada desde a Segunda Guerra Mundial, com um quarto da força de trabalho ligada ao setor industrial.
Desafios energéticos, inflação e competitividade
O relatório destaca o impacto das altas de energia na economia alemã, agravadas pela guerra no Irã, que elevou o preço de aquecimento e tende a manter caro o gás e a eletricidade. Análises apontam que o país é exportador de bens e importador de combustíveis fósseis, ampliando os efeitos das crises.
Gabriel Felbermayr, economista e membro do conselho, ressalta que a concorrência aberta pela China intensifica a pressão sobre indústrias alemãs, tanto no mercado interno quanto externo, dificultando a recuperação esperada.
Estrutura demográfica e finanças públicas
O relatório enfatiza envelhecimento da população como entrave de longo prazo. Reduzida taxa de natalidade, menor migração e aumento da expectativa de vida elevam custos com saúde e assistência social.
Schnitzer estima que as contribuições para seguros sociais podem ultrapassar 50% da folha de pagamento até 2040, caso não haja reformas. Truger, outro integrante, teme impactos para a população caso as mudanças sejam adotas sem cautela.
Orçamento e mobilização de investimento
Especialistas alertam que gastos com defesa e infraestrutura financiados por dívida elevarão o déficit para 3,7% do PIB neste ano e 4,3% em 2027, acima do limite de 3% da União Europeia. Enfatizam a necessidade de inovação tecnológica como motor de crescimento.
Eles defendem redirecionamento de investimentos industriais para tecnologia e saúde, ampliando pesquisa e desenvolvimento. A ideia é criar condições para uma recuperação sustentável sem depender apenas do setor automotivo.
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