- Economistas identificam os primeiros sinais de efeitos secundários do choque de petróleo na inflação, com repasse de custos para bens industriais.
- IPCA-15 mostrou alta de 0,62% em maio, acima da expectativa, estendendo pressões vistas anteriormente.
- Inflação de bens industriais subiu 0,3%, desacelerando frente a abril, mas permanecem sinais de aquecimento na cadeia produtiva.
- Grupo transportes registrou alta de passagens aéreas em 3,2%, enquanto itens de alimentação e bens industrializados seguiram pressionados.
- O Itaú estima que o choque do petróleo pode acrescentar cerca de 110 pontos-base à inflação de 2026, com maior peso de efeitos indiretos na cadeia produtiva.
Economistas estão identificando sinais iniciais de efeitos secundários do choque global do petróleo sobre a inflação brasileira. A alta de preços de combustíveis começa a se espalhar pelas cadeias produtivas, impactando o IPCA e abrindo espaço para repasse de custos a bens industriais.
O foco passa a ser o gradual aumento de itens industriais e de serviços ligados a energia, transporte e logística. Análises de instituições financeiras apontam que o petróleo é utilizado como insumo em produtos industriais, o que pode elevar margens de custo ao longo da cadeia.
O IPCA-15 divulgado mostra continuidade da pressão em maio, com alta de 0,62%. Economistas destacam aumento em bens industrializados e em alimentos, além de elevações em higiene pessoal e transporte. O cenário sugere inflação mais disseminada.
Economia e inflação
A leitura é de que a inflação de bens industriais segue pressionada, ainda que em ritmo menor que abril. Analistas ressaltam a composição de itens como reparos, construção e itens de limpeza como componentes relevantes.
Segundo Adriano Valladão, Santander, o repasse de custos do petróleo já é observado como parte da formação de preços de bens industriais. Ele aponta que o efeito indireto envolve custos de transporte, logística e embalagens, com defasagens.
O Itaú estima que o choque do petróleo possa adicionar cerca de 110 pontos-base à inflação de 2026, com aproximadamente 60 pontos-base vindos de efeitos indiretos na cadeia produtiva. O cenário base considera petróleo a US$ 85 por barril e câmbio de R$ 5,15.
Política monetária e expectativas
O risco de efeitos de segunda ordem aparece no comunicado da última reunião do Copom, e o BC sinaliza cautela diante de uma inflação mais resiliente. O presidente Gabriel Galípolo enfatizou a dificuldade de separar efeitos secundários de outros choques.
Analistas do mercado consideram que o efeito indireto tende a ser disseminado e menos passível de compensação por políticas econômicas, o que pode exigir maior vigilância do Banco Central. Expectativas de inflação de longo prazo já caminham acima da meta.
Entre na conversa da comunidade