- A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) critica a suspensão, pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex/Camex), da aplicação imediata de tarifas antidumping sobre leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.
- O anúncio reconhece dumping nas importações do Mercosul, mas adiou a decisão para avaliar impactos sobre inflação de alimentos e relações diplomáticas no Mercosul.
- Segundo a FPA, mais de 60% do leite em pó recebido no Brasil pratica dumping, com preço até 53% inferior ao produzido nacionalmente.
- Dados da bancada mostram queda de cerca de 20% no preço pago ao produtor, com estados como Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina registrando recebimentos abaixo de R$ 2,00 por litro, ante custos de produção acima de R$ 2,40 por litro.
- A bancada aponta impactos como fechamento de propriedades, aumento do abate de vacas leiteiras e saída de famílias da atividade, destacando que a situação é agravada por custos elevados, crédito caro e logística, em comparação a políticas de apoio de países vizinhos.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) cobra do governo a suspensão da decisão de Gecex/Camex que interrompeu a aplicação imediata de medidas antidumping sobre leite em pó importado da Argentina e do Uruguai. A decisão visa analisar impactos na inflação de alimentos e no Mercosul.
Segundo a FPA, há mais de 60% de dumping no leite em pó que chega ao Brasil, com preços artificialmente baixos. A entidade afirma que a suspensão prejudica a cadeia produtiva, leva produtores à retirada da atividade e aumenta prejuízos em municípios brasileiros.
A investigação sobre o dumping foi aberta no fim de 2024 pelo MDIC, após petição da CNA. O setor aponta subsídios, incentivos fiscais e políticas de apoio como fatores que reduzem o preço pago ao produtor nacional em até 53% em relação ao importado.
Para a FPA, a queda de cerca de 20% no preço recebido pelo produtor no Brasil evidencia a crise. Minas Gerais, Paraná, Goiás, Rio Grande do Sul e Santa Catarina teriam produtores operando com prejuízo, abaixo de R$ 2 por litro.
A entidade afirma que o crescimento das importações para reidratação da indústria é a principal causa da crise atual. O efeito é fechamento de propriedades, aumento do abate de vacas e saída de famílias da atividade, especialmente entre pequenos e médios produtores.
Contexto da investigação
Ana Paula Leão, presidente da Frente de Apoio ao Produtor de Leite, ressalta custo elevado, carga tributária alta, crédito mais caro e logística desfavorável para o Brasil. Países vizinhos costumam ter incentivos à produção e à exportação, aponta a liderança.
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