- Bombas no Oriente Médio elevaram o diesel nos postos brasileiros em mais de 15% entre o fim de fevereiro e meados de maio, revelando a vulnerabilidade causada pela dependência de importações (cerca de um quarto do consumo).
- O Brasil é autossuficiente em petróleo, mas não nos derivados; a produção de diesel ficou em cerca de 300 milhões de barris, insuficiente para a demanda interna.
- A Petrobras anunciou investimento de 6 bilhões de reais na Refinaria de Paulínia (Replan) para ampliar o refino e manter a meta de autossuficiência em diesel até 2030, alinhada à geração de caixa e ao endividamento.
- Críticos questionam a estratégia de ampliar o refino privado e defendem possível criação de uma reserva estratégica de diesel para amortecer choques de oferta.
- O caminho dos biocombustíveis é visto como forma de reduzir a exposição, mas a regulação permanece incerta: a mistura de biodiesel estava prevista em 16% para este ano, com meta de 20% em 2030, enquanto governo mantém 15%; a importação de fertilizantes, hoje acima de 85% do consumo brasileiro, segue como outra vulnerabilidade, com recorde de 45 milhões de toneladas em 2025.
O conflito no Oriente Médio voltou a impactar o preço do diesel e a dependência brasileira de fertilizantes importados. Em fim de fevereiro a meados de maio, o diesel praticado em postos subiu cerca de 15%, segundo a ANP, refletindo choques na região e impactos nos suprimentos.
O Brasil importa cerca de um quarto do diesel consumido internamente. A produção nacional não acompanha a demanda, mesmo com a Petrobras expandindo o refino. Em maio, Magda Chambriard, presidente da companhia, anunciou investimento de 6 bilhões de reais na Refinaria de Paulínia para ampliar a capacidade.
Críticos questionam a estratégia de autossuficiência anunciada pela Petrobras, que mira ampliar o refino até 2030. Executivos privados apontam que reformas de preço e margens reduzidas dificultam o retorno sobre investimentos de longo prazo em refino.
Para reduzir vulnerabilidades, há propostas de criar uma reserva estratégica de diesel e fortalecer estoques de segurança. Também se discute ampliar a participação de biocombustíveis, com o biodiesel ganhando espaço conforme a regulação avança, ainda que com cronogramas limitados.
A elevação de biosinergias depende de previsibilidade regulatória. A Lei do Combustível do Futuro, de 2024, sofreu atrasos no cronograma para aumentar a mistura de biodiesel no diesel, que hoje fica em 15%, com meta de chegar a 20% em 2030.
A agroindústria observa impactos indiretos: fertilizantes importados respondem por grande parte do consumo brasileiro. Em 2025 as importações de insumos atingiram recorde de 45 milhões de toneladas, elevando a exposição a tensões geopolíticas e pressões de custo.
Nova rota estratégica sugere ampliar a produção de fertilizantes nitrogenados pela Petrobras e restabelecer unidades no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Especialistas lembram que investimentos de longo prazo são necessários para reduzir a dependência externa.
Paralelamente, o setor do agronegócio pode se beneficiar da expansão de biocombustíveis. Grupos do setor defendem que o aumento de biodiesel fortaleça a segurança energética, conectando produção agrícola a abastecimento de combustível.
Nova frente emergente envolve biofertilizantes, usados para reduzir a dependência de insumos importados. Empresas do setor destacam que o Brasil tem potencial para tornar parte da cadeia mais autossuficiente, mitigando impactos de choques internacionais.
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