- A incerteza econômica funciona como um imposto invisível, elevando custos de investir, contratar e produzir e gerando crescimento perdido.
- O Yale Budget Lab aponta que tarifas de 2025, somadas a retaliações externas, reduziram o crescimento real dos Estados Unidos em 0,5 ponto porcentual em 2025 e em 0,4 ponto em 2026.
- O Federal Reserve, no Beige Book de abril de 2026, informou que a incerteza complica decisões de contratação, preços e investimento de capital, levando empresas a adotarem postura de espera.
- O FMI estima que uma redução ampla das tarifas americanas, associada à menor incerteza, poderia elevar o crescimento global em 0,6 ponto porcentual.
- No Brasil, a instabilidade histórica tem origem estrutural, mas houve melhora quando a imprevisibilidade foi reduzida, com exemplos como o Plano Real, metas de inflação, responsabilidade fiscal e autonomia do Banco Central.
A incerteza econômica funciona como um imposto invisível. Em vez de aparecer em notas fiscais, ela impacta investimentos, contratações e produção, elevando o custo de fazer negócios. O resultado é um crescimento real mais fraco.
Segundo o Yale Budget Lab, tarifas e retaliações externas derrubaram o crescimento real dos EUA em 0,5 ponto percentual em 2025 e 0,4 ponto em 2026. O efeito promoveu uma desaceleração na atividade econômica.
O centro de pesquisas estima ainda 490 mil empregos a menos até o fim de 2025 no país, com o Produto Interno Bruto de longo prazo encolhendo cerca de 0,3%, ou US$ 90 bilhões anuais em termos de 2024.
Impactos nos Estados Unidos
O Federal Reserve, no Beige Book de abril de 2026, aponta que a incerteza complica decisões de contratação, preço e investimento de capital. Empresas adotam postura de esperar para ver, elevando o custo de capital.
Especialistas ressaltam que a economia americana passa a ter traços de emergente: política personalista, regras instáveis, pressão institucional e custo de risco maior. Ainda assim, o FMI sugere que redução ampla de tarifas aliada a menos incerteza pode estimular o crescimento global em 0,6 ponto.
Brasil: lições de estabilidade
Historicamente, o Brasil enfrentou instabilidade estrutural: inflação, sistema tributário complexo, juros altos e insegurança regulatória. A resposta foi construir resiliência, com planejamento de risco embutido em contratos e finanças públicas.
O país cresceu quando a imprevisibilidade foi reduzida: o Plano Real, metas de inflação, responsabilidade fiscal e autonomia do Banco Central são apontados como marcos. O debate atual questiona se a experiência brasileira pode orientar políticas frente a choques externos.
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