- O PIB do primeiro trimestre cresceu 1,1%, mas sinaliza arrasto da economia para este ano e para 2027, segundo Reinaldo Cafeo.
- O economista ressalta falta de sustentação estrutural da atividade, com dependência de estímulos de curto prazo e crédito, sem base sólida de investimentos.
- Agropecuária teve alta de 2% no trimestre, bem abaixo dos 12,5% do mesmo período do ano anterior.
- Indústria desacelera e perde musculatura, apesar de destaques em áreas como extrativa e construção civil.
- Consumo das famílias, responsável por boa parte do PIB, segue ajudando, mas com sinais de desgaste; projeções indicam PIB entre 1,8% e 1,9% neste ano e crescimento abaixo de 2% em 2027.
O PIB do Brasil registrou alta de 1,1% no primeiro trimestre, sinalizando continuidade de crescimento, porém com fragilidades. O economista Reinaldo Cafeo afirma que o resultado revela uma economia resiliente, mas sem bases sólidas para sustentar o avanço nos próximos anos.
Para Cafeo, o dado mais preocupante não é o crescimento em si, e sim a ausência de sustentação estrutural da atividade. Ele ressalta dependência de estímulos de curto prazo, como consumo e crédito, sem investimentos produtivos consistentes.
Apesar do avanço, o cenário aponta para um ritmo mais fraco nos próximos períodos, com projeções de crescimento entre 1,8% e 1,9% neste ano e no ano seguinte. A leitura é de que o país seguirá arrastando a economia.
Agropecuária decepciona
No trimestre, a agropecuária cresceu 2%, bem abaixo dos 12,5% de igual período de 2025. O economista destaca que o agronegócio, embora represente 5% a 7% do PIB diretamente, envolve toda a cadeia produtiva, respondendo por cerca de um quarto da economia brasileira.
Indústria desacelera e perde fôlego
A indústria registrou desaceleração, com perdas de dinamismo no conjunto do setor, mesmo diante de avanços em áreas específicas como extrativa e construção civil. Cafeo aponta que a indústria é polo estratégico, conectando demanda por matéria-prima, logística e serviços.
Investimentos em nível baixo
A formação bruta de capital fixo permanece abaixo do desejado para um crescimento sustentável. Segundo o economista, empresários mostram cautela diante do cenário, com recuo na produção de máquinas e equipamentos, sinalizando menor confiança.
Consumo das famílias sustenta parcialmente o PIB
O consumo das famílias, que responde por cerca de 65% a 70% do PIB, avançou 1% no trimestre. No entanto, o crédito caro e a inadimplência crescente indicam desgaste dessa principal mola. A leitura é de continuidade do crescimento mais lento nos próximos períodos.
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