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Liberalismo paraguaio atrai empresas: vantagens que atravessam a fronteira

Paraguai atrai empresas brasileiras com impostos mais baixos, regime de maquila e mão de obra barata, elevando a pressão sobre o Brasil se a 6x1 sair

Palácio presidencial do Paraguai: políticas econômicas do país têm atraído empresas brasileiras. (Foto: EFE/ Bienvenido Velasco)
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  • O debate no Brasil sobre extinguir a escala 6×1 e reduzir para quarenta horas semanais levou empresas a considerar o Paraguai como alternativa, com visitas e avaliações de movimentação externa já em curso.
  • No Paraguai, o regime tributário “dez-dez-dez” aplica imposto de renda igual para pessoas físicas e pessoas jurídicas e imposto sobre valor agregado com teto de dez por cento, o que reduz a carga para empresas.
  • O país não tributa renda de origem estrangeira, o que beneficia empreendedores que atuam com exportação ou trabalho remoto.
  • O Regime de Maquila permite importar máquinas e insumos com zero imposto, cobrando apenas um por cento sobre o valor dos produtos exportados, acelerando a passagem pelas alfândegas.
  • Mão de obra mais barata e menos amarrada, aliado à proximidade geográfica, torna a produção mais competitiva; exemplos incluem Lupo e Riachuelo, com crescentes fluxos de brasileiros que se mudam para lá.

O debate sobre a ampliação de custos com a eventual extinção da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas no Brasil tem impulsionado movimentos empresariais rumo ao exterior. Em meio a disputas no Congresso, empresários avaliam alternativas fora do Brasil para reduzir encargos e simplificar o ambiente tributário.

O caso mais conhecido envolve Luciano Hang, dono da Havan, que planeja visitar o Paraguai a convite do presidente Santiago Peña. Hang afirma que, com o fim da 6×1, terá de enfrentar custos adicionais de 15% a 20% e teme uma crise para pequenas e médias redes varejistas. Segundo ele, fornecedores e amigos já migraram para o Paraguai.

Mas Hang não está sozinho. A indústria têxtil Lupo abriu fábrica em Ciudad del Este e a varejista Riachuelo também migrou parte de operações para o país. Em 2025, mais de 17 mil brasileiros obtiveram residência no Paraguai, recorde que consolida o país como destino para quem busca menos burocracia e custos operacionais.

O modelo 10-10-10

A explicação central para a migração é a simplicidade tributária do Paraguai. A alíquota máxima de imposto de renda é 10% tanto para pessoas físicas quanto para empresas, e o IVA tem teto igual. Em alguns casos, a taxa é reduzida pela metade ou dispensada.

No Brasil, a carga estimada fica em torno de 30%. Empresários veem na troca de regime uma forma de reduzir encargos e simplificar obrigações contábeis, sem depender de advogados para entender o sistema.

Renda não tributada de origem estrangeira

Pelo Paraguai, a renda de origem estrangeira não é disciplinada pelo fisco local. Isso vale para vendas externas e para trabalhadores remotos que atuam do lado de lá da fronteira, o que agrega atratividade para operações abertas ao exterior.

Um IVA bem abaixo do brasileiro

A comparação entre impostos é direta: o IVA paraguai tem teto próximo de 10%, com itens essenciais tributados a 5%. No Brasil, a previsão de IVA pode chegar a 28%. Para setores com margens estreitas, a diferença é determinante para a viabilidade econômica.

A Lei de Maquila

O Regime de Maquila permite importação de insumos com zero imposto, desde que a produção seja destinada à exportação, cobrando apenas 1% sobre o valor dos produtos exportados. A agilidade aduaneira também é citada como benefício.

Dados do Ministério da Indústria paraguaio indicam que cerca de 65% da produção sob esse regime é destinada ao Brasil. A Lupo, com planta em Ciudad del Este, prevê gerar 350 empregos diretos e 20 milhões de pares de meia por ano em 2026, com investimento de aproximadamente R$ 30 milhões.

Mão de obra e custos

Para o adido comercial Sebastián Bogado, proximidade, custos menores, impostos reduzidos, energia barata e regras trabalhistas mais suaves podem reduzir o custo de produção em até 40%. Hoje, empresas brasileiras costumam buscar o Paraguai para operações produtivas.

A possibilidade de reduzir a jornada de 40 horas na fronteira aumenta o atrativo, conforme projeções de custo da indústria e do varejo. Empresários apontam que reduzir encargos pode acirrar a diferença de competitividade com o Brasil.

A fronteira como vantagem logística

A distância até Ciudad del Este não é grande: fica a poucos quilômetros de uma importante ponte, o que facilita transporte e logística. Economistas destacam que produzir no Paraguai e exportar para o Brasil pode sair mais barato do que manter operações inteiras no Brasil, principalmente com energia mais barata.

O diagnóstico de especialistas é unânime: o desenho tributário paraguaio é visto como política de Estado, oferecendo previsibilidade para investidores. A nota de liberdade econômica do Paraguai é uma referência internacional, e o país tem atraído capital e mão de obra qualificadas.

A pauta envolve também impactos setoriais: já há relatos de expansão de investimentos e criação de empregos, principalmente no setor têxtil e de manufatura leve. O cenário implica ganhos potenciais de competitividade para parte da indústria regional, caso as mudanças no Brasil avancem.

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