- Economista Marcos Mendes critica o governo e o Congresso por usar nos últimos seis meses uma “metralhadora giratória” de medidas com cunho eleitoral, como subsídio à gasolina, mudança de jornada e crédito subsidiado.
- Diz que as reformas fiscais anteriores, teto de gastos e arcabouço fiscal, falharam e que o próximo governo deveria priorizar reformas de programas sociais para reduzir a pobreza com menos recursos.
- Afirma que não funciona discutir novas regras fiscais enquanto a sociedade não aceita um acordo; prefere medidas que efetivamente controlem a despesa pública.
- Aponta que, com a polarization atual, é preciso estratégia de comunicação e coalizão para viabilizar reformas, especialmente para reduzir privilégios e ampliar eficiência do gasto público.
- Sinaliza espaço para redesenhar políticas sociais, reduzindo pobreza de forma mais eficiente sem aumentar gastos, incluindo anteprojeto de unificação de programas e combate a ineficiências como critérios e judicialização.
O economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper, afirmou que o governo e o Congresso implementaram nos últimos seis meses uma agenda de medidas com cunho eleitoral. A crítica foi publicada em entrevista ao Estadão após o evento Brasil Adiante, promovido pelo veículo para debater soluções para problemas econômicos do país.
Mendes disse que subsídios à gasolina, propostas de mudança de jornada e crédito subsidiado para diversos setores beneficiam, segundo ele, interesses eleitorais do governo e de parlamentares que apoiam as pautas. O entendimento é de que tais medidas não promovem melhoria estrutural na economia.
Para o pesquisador, reformas fiscais anteriores, como o teto de gastos e o arcabouço fiscal, estariam mortas e não deveriam ser revisadas. O foco, na visão dele, deve ser em políticas que controlem de forma efetiva a despesa pública, especialmente em áreas como Previdência e programas sociais.
Brasil na marcha à ré
O economista aponta que o Poder Executivo, nos últimos meses, lançou uma “metralhadora giratória” de medidas de cunho eleitoral, incluindo subsídios, mudanças de jornada e distribuição de crédito. Segundo Mendes, isso privilegia interesses de curto prazo em detrimento de planos de médio e longo prazo.
Ele também critica a atuação do Legislativo, associando o desenho atual de emendas parlamentares a casos de corrupção e desvio de recursos, o que, segundo ele, prejudica reformas estruturais. O diagnóstico é de que o Brasil precisa de reformas que estabilizem contas públicas e promovam produtividade.
O que precisa avançar
Mendes defende reformas que controlem a despesa pública de forma concreta, como ajustes na Previdência, redução de rigidez de benefícios e reavaliação de recursos destinados a fundos e royalties. O objetivo é reduzir a pobreza com menos recursos, por meio de políticas mais bem desenhadas.
Ele cita ainda a necessidade de rever a forma de programas sociais, com foco em critérios eficientes e redução de judicialização. Segundo o pesquisador, a reforma da Previdência mostrou que é possível avançar quando existe comunicação clara sobre impactos sociais.
Espaço para políticas públicas
O economista ressalta que o gasto com políticas sociais cresceu nos últimos anos, mas a pobreza não caiu na mesma proporção. Segundo Mendes, redesenhar programas com critérios mais eficientes pode ampliar o alcance das ações para a população mais pobre, com melhor controle fiscal.
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