- Daniel Vorcaro enviou orientações à equipe do Rioprevidência sobre como responder a perguntas do Estadão/Broadcast sobre aportes no Master.
- O objetivo era manter as respostas curtas, para não dar “munição” ao repórter, segundo trecho divulgado pela Polícia Federal.
- O Rioprevidência investiu ao menos R$ 970 milhões em letras financeiras do Master, ativos que não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito.
- A PF abriu nova fase da Operação Compliance Zero para apurar crimes nos aportes do Master e em fundos ligados ao banco, com foco em ex-governador Cláudio Castro.
- A defesa de Vorcaro e do Rioprevidência não se manifestou até o momento.
O banqueiro Daniel Vorcaro enviou orientações à equipe do Rioprevidência sobre como responder a perguntas de um repórter do Estadão/Broadcast a respeito dos aportes do fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro em Letras Financeiras (Master). A PF aponta que o conteúdo das mensagens indicou a estratégia de comunicação a ser adotada.
Segundo apuração da Polícia Federal, o investimento em Letras Financeiras não é coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e atingiu ao menos R$ 970 milhões do Rioprevidência. A PF investiga se os aportes violaram normas ou configuraram crime, dentro da operação em curso.
A operação chamada Compliance Zero ganhou uma nova fase nesta semana, com foco em apurar irregularidades nos investimentos do Rioprevidência no Master e em fundos vinculados ao banco. Entre os alvos estão o ex-governador Cláudio Castro e outros investigados.
Em 5 de agosto de 2024, Vorcaro recebeu mensagem de Fernando Góes de Mascarenhas, funcionário do Master, sobre o tema. Mascarenhas encaminhou ao banqueiro o e-mail enviado pelo repórter ao Rioprevidência. A pergunta central era o motivo do investimento e o valor total, entre outros itens.
Na troca de mensagens, Vorcaro demonstrou preocupação com sigilo e com a possível divulgação de informações. Ele orientou que a resposta fosse curta, destacando que as Letras Financeiras integram o portfólio e que detalhes não poderiam ser abertos por sigilo.
Investimento e riscos para o Rioprevidência
A reportagem apura que o Rioprevidência destinou parte expressiva de seus recursos a ativos de letras financeiras não cobertas pelo FGC, ampliando a exposição ao risco de crédito. A PF analisa se tais operações seguem normas de governança e transparência.
Situação processual e defesas
Procuradas, as defesas de Vorcaro e do Rioprevidência não divulgaram manifestação. As informações constam de relatório da PF que mapeou diálogos encontrados no celular do empresário.
Contexto institucional
A investigação envolve ainda possíveis desdobramentos políticos, com apuração de atores ligados ao governo estadual. A PF não divulgou novas informações sobre prisões ou mandados nesta fase da operação.
O que se sabe até o momento
Execuções de diligências e a coleta de mensagens apontam para orientação de comunicação sob sigilo, bem como a hipótese de conflitos de interesse envolvendo investimentos do Rioprevidência. A PF segue reunindo evidências para esclarecer as condutas investigadas.
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