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PIB do 1º trimestre avança com consumo, indústria e agro

PIB do 1º trimestre cresce 1,1% ante o quarto, impulsionado por consumo, indústria e agro, com demanda interna sustentando expansão e queda de exportações

Juliana Trece, pesquisadora do Ibre-FGV, fotografado no IBRE em Botafogo — Foto: Leo Pinheiro/Valor
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  • O PIB do Brasil cresceu 1,1% no 1º trimestre ante o trimestre anterior, com ajuste sazonal.
  • Consumo das famílias avançou 1%, governo 0,4% e a Formação Bruta de Capital Fixo subiu 3,5%. Exportações caíram 1,7% e importações subiram 4,4%.
  • Agropecuária cresceu 2%, indústria 1% e serviços 0,5%. A indústria extrativa puxou o ganho, com Petróleo e gás em destaque.
  • Investimento (FBCF) acumula alta de 3,5% no período, mas a taxa de investimento recuou de 17,6% para 16,5% da riqueza gerada.
  • Stimuli fiscais e condições de renda contribuíram para o desempenho, com autoridades projetando trajetória de crescimento sustentado em 2026, ainda com incertezas sobre custos de produção e câmbio.

O PIB do Brasil cresceu 1,1% no 1º trimestre de 2026 ante o quarto trimestre, com ajuste sazonal, puxado pelo consumo das famílias, pela safra agrícola e pela indústria, especialmente petróleo e gás. O resultado ficou dentro da estimativa de 71 instituições consultadas pelo Valor.

O consumo das famílias subiu 1%, contribuindo principalmente para o avanço. O gasto do governo avançou 0,4% e a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 3,5%. Exportações recuaram 1,7% e as importações avançaram 4,4%.

A agropecuária avançou 2% no trimestre, sustentada pela safra recorde de soja. A indústria abriu 1% e os serviços cresceram 0,5%, apontando recuperação gradual de setores produtivos.

Desempenho setorial e infraestrutura

A indústria ficou 0,1% negativa na manufatura, com destaque para o recuo em bens de capital (-6,3%). O setor extrativo avançou 3,6%, impulsionado pelo petróleo e gás, enquanto veículos e farmoquímicos mostraram reação moderada.

A FBCF, com alta de 3,5%, também recebeu impulso da importação de uma plataforma de petróleo. Mesmo assim, a taxa de investimento recuou para 16,5% do PIB, frente 17,6% no 1º trimestre de 2025.

Análise de demanda

Entre os componentes da demanda, o consumo das famílias teve o melhor desempenho trimestral desde o 3º tri de 2024. A demanda interna foi fortalecida pela disponibilidade de transferências de renda e pelo mercado de trabalho aquecido.

Estímulos fiscais aparecem como fator relevante: crédito consignado, isenções de IR para faixas específicas, benefícios do Gás de Cozinha e aumento real do salário mínimo são citados como impulsos pela imprensa setorial.

Serviços e setor externo

Os serviços tiveram ganho moderado de 0,5%, com a parte de comércio sustentando parte da recuperação. Transportes ficou negativamente impactado (-0,7%), parcialmente por custos de combustível e pela safra com escoamento mais lento.

No exterior, houve queda das exportações e alta das importações, influenciadas por câmbio mais valorizado e demanda interna firme. O petróleo, alimentos e máquinas estiveram entre os destaques de exportação.

Perspectivas e observações

A economia mantém projeção de crescimento moderado para 2026, com revisões de bancos para alta entre 1,8% e 2,2%. Especialistas destacam a dependência de estímulos e de condições de crédito para manter o ritmo.

O pesquisador do FGV Ibre aponta que o dinamismo recente tende a sustentar o consumo, a produção industrial e a demanda doméstica, ainda que haja riscos externos, como custos de produção e preços de commodities.

Setor agro e investimentos

O agro segue como motor, embora com sinais de acomodação. A produção permanece alta, mas o ritmo do crescimento depende de crédito, reinvestimento e disponibilidade de maquinário, segundo especialistas.

A percepção é de que o setor externo pode ganhar impulso com maior participação de petróleo, conforme condições de mercado evoluam. A taxa de poupança também aparece como ponto de atenção estrutural para a expansão sustentável.

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