O chef e ativista social Júlio Ritta cobrou responsabilização após uma abordagem da Guarda Civil Metropolitana de Porto Alegre durante uma ação de distribuição de marmitas do projeto Cozinheiros do Bem – Food Fighters. O caso aconteceu na noite da última quinta-feira (23), no entorno do Viaduto da Conceição, e ganhou repercussão nas redes sociais […]
O chef e ativista social Júlio Ritta cobrou responsabilização após uma abordagem da Guarda Civil Metropolitana de Porto Alegre durante uma ação de distribuição de marmitas do projeto Cozinheiros do Bem – Food Fighters.
O caso aconteceu na noite da última quinta-feira (23), no entorno do Viaduto da Conceição, e ganhou repercussão nas redes sociais depois da divulgação de vídeos da abordagem.
Segundo as reportagens publicadas sobre o caso, agentes da GCM tentaram impedir ou interromper a distribuição de refeições feita pelo grupo.
Ver essa foto no Instagram
A ação social ocorre há cerca de 10 anos no local e atende pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social no centro de Porto Alegre.
Nos vídeos que circularam nas redes, Ritta aparece questionando a abordagem dos guardas e orientando os voluntários a iniciarem a entrega das marmitas.
Ritta fala em abuso de autoridade
Após o episódio, Júlio Ritta afirmou que a ação foi marcada por excesso de força. Ao Sul21, ele disse que o que ocorreu foi “um abuso de autoridade” e “um exagero de força” da Guarda Civil Municipal. O fundador do projeto também relatou que pessoas passaram mal durante a confusão.
Ritta agora cobra responsabilização pela abordagem e busca respaldo legal para garantir a continuidade do trabalho.
“Claro que gera uma revolta, a gente fica um pouco inseguro. O lado mais fraco sempre sofre um tipo de represália, mas, hoje, muitas autoridades entraram em contato comigo e me tranquilizaram que eu estou do lado certo. Se fosse preciso morrer ou ir preso pela causa, eu pagaria [o preço]”, afirma o ativista.
A Prefeitura de Porto Alegre tratou o episódio como um “desentendimento pontual” envolvendo a Guarda Civil Metropolitana.
A Guarda Municipal também informou que vai analisar as imagens da câmera corporal do agente que abordou os voluntários. A medida deve ajudar a apurar a conduta durante o impasse com a ONG.
Quem é Júlio Ritta
Júlio Ritta é chef de cozinha e fundador do Cozinheiros do Bem – Food Fighters, projeto criado em 2015 para combater a fome e levar refeições a pessoas em situação de rua.
A iniciativa nasceu em Porto Alegre e se consolidou principalmente nas ações realizadas no Viaduto da Conceição.
O nome “Food Fighters” faz um trocadilho com “lutadores da comida” e também remete à ideia de voluntários que enfrentam a fome usando a cozinha como ponto de partida.
Ao longo dos anos, o coletivo passou a ser reconhecido não apenas pela distribuição de marmitas, mas também pela rede de apoio construída em torno das pessoas atendidas.
O projeto Cozinheiros do Bem
O Cozinheiros do Bem atua com distribuição de refeições, roupas, itens de higiene e acolhimento. Reportagem do Jornal do Comércio, de 2022, apontava que o grupo já havia servido quase 2 milhões de marmitas
O projeto também atuou em momentos críticos no Rio Grande do Sul, como a pandemia e as enchentes de 2024, e recebeu em junho deste ano a Medalha da 56ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Estado.
A repercussão do caso ultrapassou a abordagem em si. O episódio abriu debate sobre a atuação do poder público diante de iniciativas de combate à fome, especialmente em áreas centrais ocupadas por pessoas em situação de rua.
Para Ritta e os voluntários, a entrega de marmitas é uma resposta imediata a uma necessidade básica. Para a Prefeitura, o caso será apurado a partir das imagens da abordagem. Enquanto isso, o vídeo mantém em evidência uma pergunta incômoda: por que uma ação de distribuição de comida terminou como caso de polícia?
Nota da Prefeitura de Porto Alegre:
“A Prefeitura de Porto Alegre esclarece que a ocorrência registrada na noite desta quinta-feira, 23, no entorno do Viaduto da Conceição, resultou de um desentendimento pontual envolvendo a Guarda Civil Metropolitana (GCM). A corporação mantém no local um posto avançado de atendimento.
A administração municipal destaca que não há impedimento legal para a entrega de alimentos em vias públicas. A atuação da GCM é orientada pela legislação vigente e pelos protocolos de segurança, preservando o direito das pessoas e a ordem pública.”
Entre na conversa da comunidade