- As vendas da Durex na China caíram 5% no primeiro trimestre, segundo estimativas da Jefferies, em meio a mudanças fiscais e regras de publicidade.
- O governo removeu a isenção de IVA para preservativos, que existia desde 1993, deixando a alíquota em 13%.
- Regras de publicidade mais rígidas, inclusive o banimento do marketing de preservativos em transmissões ao vivo na Douyin, ajudaram a frear as vendas.
- A China teve 7,92 milhões de nascimentos em 2025, com a taxa de natalidade em mínimo histórico; ações como subsídios para filhos foram ampliadas nos últimos anos.
- A Reckitt, controladora da Durex, possui participação relevante no mercado chinês, e o desempenho fraco da Durex no país impacta o crescimento global em mercados emergentes.
As vendas de preservativos Durex na China caíram 5% no primeiro trimestre, segundo estimativas da Jefferies, após mudanças fiscais que retiraram a isenção de IVA vigente desde 1993. A fabricante pertence ao grupo Reckitt, que atua globalmente com marcas como Dettol e Nurofen.
A queda ocorre em meio a um ambiente de regras de marketing mais rígidas para contraceptivos, incluindo o banimento de transmissões ao vivo de venda de preservativos na principal plataforma de comércio social do país, Douyin. A medida entrou em vigor no fim de 2025.
A China também enfrenta um recuo da natalidade, com 7,92 milhões de nascimentos em 2025, números que sinalizam a menor taxa desde o início de registros modernos. O governo já promove incentivos para aumentar a taxa de fertilidade, como subsidies para famílias com filhos pequenos.
As mudanças fiscais elevaram o custo dos preservativos no país, com a adoção de uma alíquota de IVA de 13%. A retirada da isenção de 1993 aumenta o valor pago pelos consumidores, impactando o desempenho de vendedores locais e globais.
A Reckitt controla mais de 30% do mercado chinês de preservativos, sendo Durex responsável por cerca de um terço do crescimento do grupo em mercados emergentes no último ano. Em 2025, o crescimento da marca no país superou 40%.
Durante o primeiro trimestre, a Reckitt registrou crescimento mais fraco em mercados emergentes, com avanço de 7,6%, ante 14,6% em 2025. O CEO Kris Licht ressaltou que as vendas da Durex na China ficaram abaixo das expectativas devido ao IVA e à atividade promocional dos concorrentes.
Analistas apontam que o fechamento do Estreito de Hormuz, ligado a tensões no Irã, pode pressionar ainda mais custos de fabricação e manter pressionado o setor. A indústria já observa repasses de custos em alguns fornecedores.
Mesmo com as novas regras, influenciadores continuam vendendo preservativos Durex em plataformas de comércio social como Xiaohongshu, onde transmissões ao vivo recentes seguiram com títulos voltados a temas de bem-estar feminino.
Uma fonte ligada à Reckitt indicou que as medidas de marketing impuseram peso sobre o crescimento, sem indicar uma deterioração estrutural da demanda. Segundo ela, algoritmos de plataformas passaram a priorizar conteúdos não sensíveis.
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