- Brasil ocupa a quarta posição entre os países sul-americanos em horas trabalhadas, com 1.994 horas por ano.
- O país tem o segundo maior índice de desigualdade de renda da região, com Gini de 0,50.
- Em comparação regional, a Colômbia tem 2.471 horas/ano, o Peru 2.143 e o Paraguai 2.123 horas.
- Especialistas divergem: alguns não veem relação direta entre mais horas e maior desigualdade; outros dizem que desigualdade pode levar a empregos de baixa produtividade e salários menores.
- A discussão sobre condições de trabalho ganhou impulso com a PEC do fim da escala 6×1, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial e já foi aprovada pela Câmara, aguardando o Senado.
Brasil está entre os países sul-americanos que mais trabalham e que apresentam maior desigualdade. A média é de 1.994 horas trabalhadas por ano, a quarta maior da região, segundo dados da Our World in Data.
Ainda conforme o levantamento, o Brasil ocupa a segunda posição no ranking de desigualdade de renda na América do Sul. O Índice de Gini é de 0,50, abaixo apenas do registrado pela Colômbia, de 0,54.
Na comparação de jornadas, o Brasil fica atrás da Colômbia (2.471 horas), do Peru (2.143) e do Paraguai (2.123). Os números destacam o tamanho da diferença entre o tempo de trabalho e a distribuição de renda na região.
Especialistas
Para Rafael Richter, não há consenso sobre a relação direta entre longas jornadas e desigualdade. Ele cita exemplos como a China, com jornadas maiores, mas menos desigualdade em certos contextos. A mobilidade social baixa é apontada como fator relevante.
Natale Papa sustenta que os dois aspectos se influenciam. Em países com maior igualdade, produtividade tende a aumentar com jornadas mais eficientes, elevando salários e reduzindo horas extras. Em contextos desiguais, há necessidade de mais horas para compensar a renda.
PEC do fim da escala 6×1
A discussão sobre condições de trabalho ganhou peso com a votação da PEC que altera a jornada. O texto reduz a semana de 44 para 40 horas sem perda salarial e exige dias de descanso remunerados por semana. A proposta foi aprovada pela Câmara e aguarda análise do Senado.
A medida visa alinhar o tempo de trabalho com padrões de produtividade e o custo de vida. Ainda não há confirmação de efeitos sobre emprego, salários ou competitividade, que dependem de implementação e de políticas complementares.
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