- A indústria brasileira perde ao menos R$ 107 bilhões por ano com crime, somando prejuízos diretos e gastos com prevenção.
- Desse total, R$ 68,8 bilhões correspondem a gastos com prevenção (vigilância, monitoramento, segurança cibernética, proteção pessoal) e R$ 39,1 bilhões são perdas diretas na receita.
- A sondagem da Confederação Nacional da Indústria ouviu 1.398 empresas de 32 setores entre 3 e 12 de novembro do ano passado.
- O roubo de carga é o principal tipo de crime, respondendo por 32% das ocorrências; o impacto varia conforme o porte da empresa.
- No estado do Rio de Janeiro, mais de 3.000 casos foram registrados em 2025, com prejuízo estimado de cerca de R$ 314 milhões para as empresas da região.
O crime custa à indústria brasileira pelo menos R$ 107 bilhões por ano, segundo uma sondagem da CNI. A pesquisa ouviu 1.398 empresas de 32 setores, entre 3 e 12 de novembro do ano passado. Os números contemplam prejuízos diretos e gastos com prevenção.
Dos recursos totais, R$ 68,8 bilhões correspondem a despesas com prevenção, como vigilância, monitoramento, segurança cibernética e proteção de pessoal. Os outros R$ 39,1 bilhões representam perdas na receita líquida causadas por crimes como roubo de carga, furto e pirataria.
A CNI aponta que parte do custo pode estar associada à atuação de organizações criminosas, especialmente nos setores de combustíveis e bebidas. No entanto, não havia como mensurar exatamente a participação dessas facções, segundo o levantamento.
O estudo mostra que mais de um terço das empresas sofre com esses ilícitos, com impacto maior em micro e pequenas empresas. A pequena empresa registra perda média de 0,6% da receita, enquanto médias e grandes chegam a 0,8% e 0,4%, respectivamente.
Entre os tipos de crime, o roubo de carga lidera as ocorrências, representando 32% dos casos. Pequenas empresas concentram mais problemas internos, como roubos no interior das instalações, enquanto médias e grandes sofrem mais com o roubo externo de cargas.
No Rio de Janeiro, o impacto é expressivo: em 2025 houve mais de 3.000 casos de roubo de cargas, ou cerca de oito caminhões atacados por dia, gerando prejuízos estimados de cerca de R$ 314 milhões para empresas locais.
A não conformidade de produtos com normas técnicas fica em segundo lugar entre os ilícitos mais citados. Pirataria e falsificação aparecem em quinto, gerando riscos à saúde do consumidor e concorrência desleal.
Entre os efeitos, a perda de participação de mercado aparece como um dos principais impactos, citada por 30% das empresas impactadas, atrás de queda de receita bruta (50%). Aumento de custos com segurança é citado por 28%, e custos jurídicos adicionais por 10%.
Para enfrentar o problema, as empresas mencionam fiscalização e controle como a medida mais efetiva (77%), seguida de ações de inteligência (46%). Um terço também defende endurecimento da legislação para combate ao crime na indústria.
Entre na conversa da comunidade