- O PIB do primeiro trimestre de 2026 avançou 1,1%, segundo o IBGE.
- A Fazenda acredita que juros baixos ainda neste ano podem favorecer o desempenho do PIB no quarto trimestre, conforme nota técnica da SPE.
- O BC não sinalizou qualquer redução adicional na Selic e a ata de abril não define o rumo para o próximo encontro, em 16 e 17 de junho.
- O Copom já reduziu a Selic de 15% para 14,75% (em março) e para 14,5% (em abril); o cenário de incerteza externa, como a guerra no Oriente Médio e o El Niño, influencia as decisões.
- Setores no primeiro trimestre: agropecuária subiu 2%, indústria 1% e serviços 0,5%; há expectativa de recuperação no fim do ano com maior tração da manufatura diante da política monetária.
O Ministério da Fazenda trabalha com a possibilidade de redução dos juros ainda neste ano para favorecer o desempenho do PIB no quarto trimestre. A ideia ganha destaque em meio a um cenário de incerteza global, marcado pelo conflito no Oriente Médio, mas não há confirmação de novos cortes por parte do Banco Central.
O anúncio foi feito por meio de uma nota técnica da Secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda, divulgada após o IBGE confirmar o crescimento do PIB de 1,1% no primeiro trimestre de 2026. A leitura é de que a redução da taxa básica poderia estimular o avanço da atividade.
O PIB do Brasil
- O PIB soma as atividades finais de bens e serviços produzidos, com divulgação trimestral do IBGE.
- Em 2024, a economia brasileira avançou 3,4%, ante 3,2% em 2023.
- Em termos setoriais do 1º trimestre de 2026, agropecuária cresceu 2%, indústria 1% e serviços 0,5%.
> A SPE lembra que o crescimento tende a desacelerar na margem, ainda que a redução do custo do crédito possa compensar parte da dissipação do efeito de políticas públicas. A previsão é de retomada no 4º trimestre, com impulso da indústria manufatureira diante da flexibilização monetária.
Análise de especialistas
O pesquisador da Ibre/FGV aponta que reduzir os juros pode favorecer produção e investimento, mas o efeito depende do tamanho do corte. A incerteza tem caído, porém ainda não está claro o que ocorrerá. O analista ressalta que o desempenho recente dos investimentos continua fraco, impactando a dinâmica econômica.
O caminho dos juros
A flexibilização monetária teve início em 18 de março, quando o Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75%. Em seguida, houve novo recuo para 14,5%, ainda sob um ambiente de alta incerteza por conta do conflito no Oriente Médio e do El Niño. O Copom ainda não sinalizou a trajetória para o encontro de junho.
O presidente do BC afirmou que o comitê avalia os efeitos da guerra e do El Niño sobre a economia ao decidir por cortes ou não na Selic, com foco em revisões de inflação e impactos de choques de oferta. A decisão envolve compreender se a inflação responde apenas a choques de oferta ou se há efeitos de segunda ordem.
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