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Lucros da IA devem beneficiar trabalhadores, diz chefe de agência da ONU

Diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho diz que lucros da IA devem beneficiar trabalhadores por meio de salários melhores e proteção social

Gilbert Houngbo, diretor-geral da OIT, discursa durante congresso na Espanha
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  • O diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho, Gilbert Houngbo, disse que os lucros gerados pela IA devem beneficiar trabalhadores e ser distribuídos de forma justa.
  • Em Genebra, durante a Conferência Internacional do Trabalho, ele afirmou que a IA está transformando o mercado de trabalho e a forma de criar valor e tomar decisões.
  • Houngbo ressaltou que os trabalhadores devem compartilhar a produtividade gerada pela IA por meio de melhores salários, maior proteção trabalhista e crescimento mais inclusivo.
  • A disciplina de ganhos com IA ganhou relevância após a negociação entre sindicatos e a Samsung na Coreia do Sul, resultando em acordo que garante divisão de parte do lucro operacional para os trabalhadores do setor de semicondutores.
  • Ainda segundo ele, a IA traz impactos que dependem de políticas, instituições e do diálogo social; o futuro do trabalho não é determinado apenas pela tecnologia, afirmou.

O diretor-geral da OIT, Gilbert Houngbo, defendeu que os lucros gerados pela IA devem beneficiar os trabalhadores, distribuindo-os de forma justa. A declaração ocorreu durante a Conferência Internacional do Trabalho, realizada em Genebra, com foco nas mudanças no mercado de trabalho provocadas pela tecnologia. A OIT enfatizou a necessidade de ganhos de produtividade repercutirem em melhores salários e proteção social.

Houngbo destacou que a IA está transformando a forma de criar valor e de tomar decisões nas empresas, o que requer políticas públicas e acordos setoriais para distribuir a renda de maneira mais inclusiva. O objetivo é evitar ampliar desigualdades e inseguranças decorrentes da adoção tecnológica sem contrapartidas para a força de trabalho.

Além de discutir a repartição de lucros, a OIT apontou que o futuro do trabalho depende de políticas, instituições e diálogo social, não apenas da evolução tecnológica. A autoridade brasileira citada lembrou que decisões de hoje moldam oportunidades futuras, seja pela melhoria de competências ou pela proteção aos trabalhadores.

Impactos da IA no mercado de trabalho

A relação entre IA e empregos permanece sob avaliação. Instituições econômicas, incluindo o Banco Central Europeu, indicam efeitos até agora moderados sobre o emprego, apesar do estágio avançado da tecnologia. Estudos destacam ganhos de produtividade, sem consenso sobre impactos amplos de curto prazo.

Em outros desdobramentos, a Samsung chegou a um acordo com sindicatos que ameaçavam greve, garantindo participação dos trabalhadores nos resultados. Cem por cento, 78 mil trabalhadores do setor de semicondutores receberiam 10,5% do lucro operacional da empresa. O lucro da companhia subiu expressivamente no primeiro trimestre em relação ao ano anterior.

Propostas para mitigar impactos

Entre as opções para reduzir riscos sociais estão o investimento em competências dos trabalhadores, o fortalecimento da proteção trabalhista e social e o apoio a pequenas e médias empresas. A OIT também orienta o respeito aos direitos fundamentais no trabalho como base para um desenvolvimento inclusivo da IA.

O órgão reforça que a governança da IA deve envolver diálogo social e governança institucional para assegurar prosperidade compartilhada. Houngbo ressaltou que a forma de distribuir ganhos hoje pode decidir se a IA ampliará oportunidades ou aprofundará desigualdades.

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