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Negócio de família que começou com garrafas de vinho persiste há 177 anos

Da emboscada à expansão global: a saga da Yalumba, em seis gerações, para manter o negócio familiar ante dívida e foco em sustentabilidade

Robert Hill-Smith, presidente da Yalumba, e sua filha, Jessica Hill-Smith, gerente de comunicação e relações públicas
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  • A Yalumba Winery, fundada há 177 anos pela família Hill-Smith, passou por uma transformação estratégica na década de 1980, quando Robert e o irmão Sam reestructuraram a participação acionária após uma compra entre 1988 e 1989.
  • A operação enfrentou dívida elevada — dezenas de milhões de dólares australianos com juros próximo de dezoito por cento ao ano — para ampliar a empresa e torná-la competitiva globalmente.
  • A mudança de rumo incluiu o abandono de uma marca histórica pouco coerente e a construção de um portfólio mais focado, com conquistas no exterior e criação de marcas como Oxford Landing.
  • Jessica Hill-Smith, filha de Robert, voltou à empresa para liderar a linha premium, após experiências na indústria, e a empresa passou a separar a marca Yalumba dos vinhos de baixo custo sob a linha Winesmiths.
  • A estratégia de sustentabilidade ganhou peso desde os anos noventa, com práticas de fermentações espontâneas, manejo de resíduos e reflorestamento; o futuro da propriedade tende a ficar mais disperso entre as gerações, em meio a mudanças na gestão familiar.

Robert Hill-Smith lidera há décadas a Yalumba Winery, empresa familiar australiana com 177 anos de atuação. A reportagem descreve como ele reorganizou o negócio após reunir primos para discutir a compra de participação na empresa.

Em 1988, Hill-Smith e o irmão Sam iniciaram a aquisição de ações dos familiares. O processo, que durou de 10 de outubro de 1988 a 6 de junho de 1989, ocorreu em meio a dívidas elevadas e juros de até 18% ao ano. O objetivo era preservar o controle familiar diante de pressões externas.

A transformação da Yalumba tirou a empresa de um modelo tradicional para um negócio com presença global. A estratégia envolveu readequar marcas, expandir exportações e investir em posicionamento de marca com foco em vinhos finos.

Ao assumir, Robert herdou cerca de 35% das ações, com a maioria nas mãos de parentes. O movimento gerou tensão familiar, mas resultou na criação de novas oportunidades, incluindo a fundação da Shaw + Smith por primos.

A escolha de vender marcas de vinhos fortificados ajudou a canalizar recursos para expansão. Com o capital obtido, a família modernizou vinhedos e estabeleceu novas operações, inclusive no exterior, fortalecendo a presença australiana.

Jessica Hill-Smith, filha de Robert, tornou-se a gerente de comunicação e relações públicas. Ela acompanhou a transição e hoje atua na linha premium, ajudando a posicionar a marca no mercado de vinhos finos.

A agenda da empresa incluiu sustentabilidade como eixo estratégico. Desde os anos 1990, a Yalumba investiu em manejo de resíduos, água e biodiversidade, com foco em práticas menos dependentes de químicos.

Além disso, a empresa experimentou certificações e, posteriormente, ajustes em relação a práticas orgânicas. A gestão ambiental busca equilíbrio entre produtividade e preservação, com resultados ainda em avaliação.

Para o futuro, a família admite que a propriedade pode dispersar-se entre as gerações. Jessica afirma que as conversas sobre a participação de novos familiares são frequentes, mantendo a empresa sob controle de quem estiver envolvido ativamente.

Ao longo da trajetória, a Yalumba manteve vínculos com outras vinícolas históricas da Austrália e ampliou sua rede de exportação. O objetivo é sustentar a tradição familiar ao mesmo tempo em que atende às demandas de um mercado global.

A narrativa interna descreve um legado que envolve crise, estratégia e continuidade. O DNA da empresa permanece ligado à visão de inovar sem perder a identidade de produtor de vinhos de alta qualidade.

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