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Agenda econômica impulsiona a esquerda na Colômbia

Reforma trabalhista e salário mínimo atuam como alavancas, fortalecendo Petro e redefinindo o cenário político colombiano

Abelardo de la Espriella e Ivan Cepeda disputam o segundo turno na Colômbia
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  • Neste domingo, a Colômbia abriu o segundo turno entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, com a esquerda buscando consolidar força sob a liderança de Gustavo Petro.
  • Petro, que estava desacreditado há pouco mais de um ano, viu a popularidade subir de 32% de aprovação no início de 2025 para 49,1% em fevereiro de 2026, com a desaprovação caindo para 46,1%.
  • Em março de 2025, a reforma trabalhista foi rejeitada pela Comissão do Senado, levou Petro a lançar uma consulta popular e mobilizar sindicatos para pressionar mudanças.
  • A demanda pela consulta foi formalizada em 1º de maio de 2025, mas o Senado rejeitou a convocação; em junho de 2025, uma versão moderada da reforma foi aprovada pelo Congresso.
  • O governo também elevou o salário mínimo acima da inflação — 12,07% em 2024, 9,54% em 2025, e 23,78% no fim de 2025 — gerando apoio entre trabalhadores e novos embates jurídicos, que influenciaram o debate de 2026.

Neste domingo, as eleições presidenciais da Colômbia chegaram ao segundo turno, com Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda confirmados como candidatos ainda em disputa. A votação ocorreu no país e marcou a continuidade de debates sobre reformas econômicas e políticas públicas.

A ascensão de Abelardo, um nome da extrema direita, foi a grande novidade da corrida. Ele surge numa linha que combina críticas a estruturas políticas tradicionais com propostas de reformas liberais. Já Gustavo Petro, que estava desacreditado há pouco mais de um ano, recuperou fôlego político. Cepeda representa uma mudança com foco em pautas econômicas mais radicais.

No início de 2025, Petro apresentava aprovação de 32% e desaprovação de 63%, segundo a Invamer. O governo enfrentava desgaste em segurança pública, economia e conflitos com o Congresso, alimentando a leitura de fragilidade da esquerda para 2026.

O marco ocorreu em março de 2025, quando a reforma trabalhista enviada ao Congresso em 2023 foi rejeitada pela Comissão Sétima do Senado. O projeto incluía pagamento noturno, contratos precários, direitos sindicais fortalecidos e maior proteção trabalhista. Setores empresariais reagiram com críticas.

Petro decidiu não recuar e anunciou a intenção de submeter a reforma a consulta popular. A estratégia transformou derrota parlamentar em linha de atuação constante, mobilizando sindicatos, movimentos sociais e trabalhadores para sustentar a ideia de que elites bloqueavam reformas aprovadas em 2022.

O governo protocolou o pedido de consulta popular em 1º de maio de 2025, Dia do Trabalhador, com grande manifestação em Bogotá. O Senado rejeitou a convocação semanas depois, por margem estreita, e Petro emergiu politicamente fortalecido.

Em junho de 2025, o Congresso aprovou uma versão moderada da reforma trabalhista. A esquerda afirmou que a mobilização popular funcionou; a oposição acusou Petro de governar por conflito constante.

A estratégia de Petro gerou efeitos positivos. Em fevereiro de 2026, a aprovação do presidente subiu para 49,1% e a desaprovação caiu para 46,1%, segundo a Invamer. Houve ganho de mais de 15 pontos percentuais na popularidade em pouco menos de um ano.

Outro eixo da virada foi a política de salários. O governo promoveu aumentos acima da inflação: 12,07% em 2024 e 9,54% em 2025. No fim de 2025, Petro anunciou um aumento de 23,78% para o salário mínimo, apesar de suspensão temporária pelo Conselho de Estado.

O decreto provisório manteve o valor enquanto o tribunal avaliava o caso, e o governo incentivou mobilizações a favor do reajuste. O tema ganhou destaque na campanha de 2026, com ampla participação de sindicatos e centrais trabalhistas.

A postura de Petro contrastou com o estilo de Lula no Brasil, que busca manter maior estabilidade política e negociar para obter vitórias. Os analysts destacam que os estilos refletem contextos institucionais distintos, apesar da origem comum na esquerda.

Independentemente do desfecho, a eleição colombiana evidenciou o papel central das pautas econômicas na mobilização política. Enquanto o debate sobre salário, trabalho e proteção social influencia a esquerda, temas morais e de segurança mantêm o foco de candidaturas de extrema direita na região.

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