- A indústria brasileira registra perda de ao menos R$ 107 bilhões por ano com o mercado ilícito e crimes, conforme a Sondagem Especial Brasil Legal da Confederação Nacional da Indústria (CNI); R$ 39 bilhões correspondem à receita líquida de vendas perdida por um terço das empresas.
- A pesquisa ouviu 1.398 empresas de 32 setores industriais de pequeno a grande porte. O custo com segurança corresponde a 1,1% da receita líquida, totalizando R$ 68,5 bilhões.
- Cerca de 77,1% das empresas destinam 1% ou menos do orçamento à cibersegurança, indicando baixo investimento em segurança digital.
- O roubo de carga é o ilícito mais frequente entre as grandes indústrias, afetando 32% das empresas; no Rio de Janeiro, o prejuízo estimado foi de R$ 314 milhões no último ano.
- Medidas consideradas prioritárias pelas empresas: maior fiscalização (77%), ações de inteligência (46%) e endurecimento da legislação (36%); fortalecer Polícia Civil e Polícia Militar (41%), Polícia Federal (38%) e Receita Federal (36%).
O setor industrial brasileiro perde ao menos R$ 107 bilhões por ano devido a mercado ilícito e crimes, aponta a Sondagem Especial Brasil Legal, da CNI. A pesquisa, com dados de novembro do ano passado, ouviu 1.398 empresas de 32 setores de todo o país. Um terço das empresas afirmou ter sido atingido por atos ilícitos, resultando em perda líquida de vendas de R$ 39 bilhões.
O estudo mostra que metade das empresas impactadas aponta a perda de receita bruta como o principal efeito. Em seguida, aparecem a redução de participação de mercado (30%) e o aumento de custos com segurança (28%). Além das perdas diretas, há custos expressivos com prevenção de ilícitos.
Os gastos com segurança, patrimonial e cibernética, somam 1,1% da receita líquida, equivalente a R$ 68,5 bilhões. Segundo a CNI, o investimento em segurança digital ainda é baixo, apesar da maior sofisticação das ameaças.
Impacto por porte
A pesquisa indica maior impacto entre médias e grandes empresas, com 32% e 33% afetadas, respectivamente, contra 25% entre as pequenas. O dano médio para pequenas é de 0,6% da receita, para médias, 0,8%, e para grandes, 0,4%.
Fabrício Silveira, superintendente de Política Industrial da CNI, ressalta que 77,1% das empresas destinam 1% ou menos do orçamento à cibersegurança. Ele afirma que a segurança digital precisa ocupar posição mais estratégica no enfrentamento das ilegalidades.
Crimes mais frequentes e medidas desejadas
O roubo de carga é citado como o ilícito mais comum entre grandes indústrias, com 32% relatando impacto direto. No RJ, a Firjan estimou prejuízo de R$ 314 milhões no ano anterior, com média de oito caminhões atacados por dia.
Para reduzir danos, 77% das empresas defendem maior fiscalização e controle. Outros 46% veem ações de inteligência como eficaz, e 36% defendem endurecimento da legislação. Sobre prioridades, 41% citam fortalecimento de órgãos estaduais de segurança pública, 38% a Polícia Federal e 36% a Receita Federal.
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