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Dona da produtora de Dark Horse expandiu negócios após encontro com Mario Frias

Após conhecer Mario Frias, Karina Gama amplia negócios com holding e novas sociedades, alavancando contratos públicos e sob investigação

Karina Gama, dona da produtora de 'Dark Horse', filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro
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  • Karina Gama, de 47 anos, dona da produtora associada ao filme Dark Horse, expandiu para pelo menos seis empreendimentos e criou a Gama Participações Ltda em Aracaju e tornou-se sócia da Upcon Serviços Especializados Ltda em Salvador.
  • A expansão coincidiu com o contato com o deputado Mario Frias, quando ele assumiu a Secretaria de Cultura em 2020, abrindo portas para projetos no campo político conservador e para vínculos com a família Bolsonaro.
  • Um dos contratos mais relevantes foi o chamamento público de R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para fornecer wi‑fi a comunidades carentes, sob investigação do Ministério Público e da Polícia Civil, com mandados em endereços ligados a Karina.
  • Embora gerencie valores milionários, não há imóveis registrados em nome dela; houve também tentativa de concessão de uso da casa da família na Brasilândia, negada por não atender aos requisitos legais.
  • Em 2026, Karina ampliou atividades para a Gama Participações e ingressou como sócia da Upcon, mantendo atuação ligada ao setor cultural e à construção, com ligações ao Instituto Conhecer Brasil e a eventos como a Connect Faith.

Karina Gama, 47, moradora da Brasilândia, periferia norte de São Paulo, passou a administrar ao menos seis empreendimentos que vão além da produção cultural. Ela criou uma holding em 2026 e passou a integrar a Upcon, empresa de construção sediada em Salvador, ampliando o alcance dos negócios.

A trajetória profissional de Karina ganhou impulso após conhecer o deputado federal Mario Frias, então secretário de Cultura no governo Bolsonaro. A relação facilitou acessos a projetos vinculados ao campo conservador, segundo apurações.

A partir de 2020, as empresas de Karina passaram a receber recursos para campanhas do PL e verbas de emendas. Um dos contratos mais expressivos é um chamamento público da Prefeitura de São Paulo no valor de 108 milhões de reais para fornecer wi-fi a comunidades carentes, que está sendo investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil.

No domicílio profissional, endereços ligados a Karina passaram por visitas de Frias e de Eduardo Bolsonaro. A Folha apurou que Frias atuou como ponte com a família Bolsonaro, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, mas ele nega irregularidades com dinheiro público nas transações.

Investigação e impactos

A reportagem também relata que Karina não possui imóveis em seu nome, segundo cartórios. Ela pediu a concessão de uso de casa na Brasilândia, mas o pleito foi indeferido por falta de requisitos legais. Em 2023, firmou contrato para compra de uma casa de mais de 2 milhões em Santana de Parnaíba, mas deixou de pagar as parcelas, caso que tramita na Justiça.

Entre 2014 e 2020, Karina presidiu o Instituto Conhecer Brasil, associação privada que recebeu recursos de emendas de bolsonaristas para projetos de letramento digital e esportes, além do contrato com a prefeitura de São Paulo para o projeto de wi-fi. Em 2021, fundou a ANC, que também captou recursos de emendas.

A produção do filme sobre Jair Bolsonaro, chamada Dark Horse, abriu caminho para novas empreitadas. Em 2024, Karina lançou a Connect Faith, feira de fé e tecnologia, realizada no Expo Center Norte. O festival teve Kirk Franklin como apresentação principal e contou com apoio municipal para infraestrutura no valor estimado de 3,5 milhões de reais.

Em fevereiro de 2026, Karina expandiu a atuação com a Gama Participações Ltda, em Aracaju, como holding de instituições não-financeiras e gestão de imóveis. No mesmo mês, passou a ser sócia da Upcon Serviços, com a administração da empresa em Salvador.

A reportagem apura ainda que Karina não respondeu aos contatos da Redação. Em nota enviada anteriormente, ela elogiou o filme sobre Bolsonaro e afirmou que o projeto merece premiações, sem oferecer detalhes sobre contratos públicos.

Colaboraram Iran Alves e Evelyn Aires.

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