- A partir de terças-feiras, entra em vigor atualização na Norma Regulamentadora nº 1, que passa a tratar a saúde mental no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais.
- A regra amplia a responsabilidade dos empregadores sobre fatores que podem levar ao adoecimento, como metas abusivas, jornadas exaustivas, pressão contínua, assédio moral, sobrecarga e falhas na organização.
- Dados do Anuário de Benefícios e Práticas Corporativas 2026 indicam lenta adaptação: 58,9% das empresas dizem estar totalmente preparadas; 11,7% monitoram horas extras, 23,9% acompanham o clima organizacional e 44,9% analisam rotatividade.
- Em relação a planos de carreira e salários, 72% das empresas afirmam possuir, mas 37% dos trabalhadores dizem que eles inexistem.
- A mudança regulatória exige que o sofrimento psicológico relacionado ao trabalho deixe de ser tratado de forma superficial, passando a compor governança e a impactar a produtividade e os custos das organizações.
Desde a última terça-feira, entrou em vigor atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que redefine como a saúde mental deve ser considerada no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). A regra amplia a responsabilidade dos empregadores sobre fatores que podem adoecer, como metas abusivas, jornadas exaustivas, pressão, assédio, sobrecarga e falhas organizacionais. A mudança impõe avaliação objetiva desses aspectos ao lado das demais atividades da empresa.
A formalização torna o bem-estar um requisito de governança, com impacto direto em processos internos, custos trabalhistas e reputação. Profissionais de compliance e RH devem adotar métricas para além de ações pontuais de acolhimento, integrando a saúde mental às políticas de gestão de riscos.
Segundo o Anuário de Benefícios e Práticas Corporativas 2026, 58,9% das empresas se consideram totalmente preparadas para cuidar da saúde mental. Ainda assim, apenas 11,7% monitoram horas extras, 23,9% acompanham o clima organizacional e 44,9% analisam rotatividade.
Em relação a planos de carreira e salários, 72% declararam ter esses instrumentos mapeados, porém 37% dos trabalhadores afirmam que eles não existem. Os dados indicam adaptação lenta e dificuldades estruturais para priorizar a saúde mental na agenda corporativa.
A mudança regulatória limita ações superficiais, como palestras ou cartilhas, para tratar o tema. A gestão passa a exigir mensuração da exaustão emocional e avaliação de riscos psíquicos, simultaneamente à fiscalização de acidentes físicos, uso de EPIs e perigos mecânicos.
Essa visão amplia a relação entre bem-estar e desempenho. Ao detectar ambientes adoecidos, empresas fazem a gestão de perdas operacionais, queda de produtividade e maior passivo trabalhista. O ajuste pode favorecer a competitividade em cenário globalizado.
Com o desafio de competir globalmente, o empregador brasileiro precisa estabelecer mecanismos flexíveis que promovam satisfação e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A geração que se prepara para liderar o mercado exige saúde física e mental como requisito.
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