- Inadimplência de produtores rurais pessoas físicas ficou em 8,2% no 4º tri de 2025, alta de 1 p.p. ante o mesmo período de 2024 e de 0,2 p.p. frente ao 3º tri de 2025.
- Aamostra cobre 11,3 milhões de produtores; inadimplentes são aqueles com dívidas acima de R$ 1.000 vencidas há mais de 180 dias.
- Fatores para o aumento: custos de insumos elevados, conflitos no Oriente Médio, queda e volatilidade dos preços da soja e juros altos.
- Entre devedores, as maiores taxas ocorrem entre sem registro rural (9,9%), grandes proprietários (9,8%), seguidos de médios (8,3%) e pequenos (7,8%).
- Concentração de dívidas: bancos respondem por 93,9% do montante devido; valor médio das dívidas é de 138,2 mil para fornecedores, 115,5 mil para instituições financeiras, e 32,6 mil para o setor agro; 853 pedidos de recuperação judicial em 2025, +51% frente a 2024.
A taxa de inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas atingiu 8,2% no quarto trimestre de 2025. O indicador mostrou alta de 1 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024 e avanço de 0,2 ponto percentual ante o terceiro trimestre de 2025, quando ficou em 8%. Os dados integram o Indicador de Inadimplência do Agronegócio, divulgado pela Serasa Experian.
A análise envolve uma população rural estimada em 11,3 milhões de pessoas físicas. Consideram-se inadimplentes produtores com dívidas superiores a R$ 1.000 ligadas à atividade rural e com atraso superior a 180 dias. O cenário reflete custo elevado de insumos, impactos de conflitos internacionais, variações de preços de grãos e juros altos.
O levantamento aponta que o maior percentual de devedores ocorre entre quem não tem registro rural formalizado, seguido de grandes proprietários, em seguida médios e pequenos proprietários. Na prática, isso significa que a inadimplência está concentrada entre os grupos com maior exposição financeira.
Perfil dos devedores
A inadimplência é mais expressiva entre os grupos com maior exposição financeira. A maior parcela de devedores não possuí registros de propriedade rural, com 9,9% de inadimplência. Grandes proprietários registraram 9,8%; médios, 8,3%; e pequenos, 7,8%.
Concentração de dívidas e risco
No quarto trimestre, o volume de novas dívidas somou R$ 54 bilhões, distribuídos por cerca de 3,5 milhões de dívidas. O endividamento está fortemente concentrado em bancos e instituições de crédito, que respondem por 93,9% do total devido. Outros setores respondem por 56,3% da quantidade, mas apenas 3,4% do valor.
As dívidas de fornecedores do setor agrícola, entre os mais caros, representam 0,3% dos produtores, mas mantêm ticket médio de R$ 138,2 mil. Em instituições financeiras, a dívida média é de R$ 115,5 mil; com fornecedores externos, cai para R$ 32,6 mil.
Cenário regional e etário
A Serasa mapeou o perfil por “regiões agrícolas” para explicar variações. A região Norte Agro registra 12,9% de inadimplência, liderando o ranking, seguida do Matopiba (10,0%) e do Centro-Oeste Agro (9,9%). A região Sul apresenta a menor taxa, em 5,7%.
A idade também influencia os índices: adultos entre 30 e 39 anos respondem por 12,5% das dívidas, enquanto pessoas com 80 anos ou mais apresentam 3,5% de inadimplência.
Dados adicionais e contexto
O uso de crédito no setor segue com altos tickets, prazos mais longos e frequente exposição financeira. Essa combinação eleva o risco de concentrações de dívida entre poucos devedores. O diretor de agronegócio da Serasa, Marcelo Pimenta, afirma que há sinais de estabilização em alguns segmentos, mas a tendência permanece de pressão financeira.
Dados do Banco Central apontam que a inadimplência de pessoas físicas no crédito rural atingiu 7,3% em janeiro de 2026, 7,6% em fevereiro e 7,1% em março, volumes históricos. Em 2025, foram registrados 853 pedidos de recuperação judicial por produtores rurais pessoas físicas, alta de quase 51% frente a 2024.
Esses números indicam um endurecimento do cenário financeiro para o agronegócio, mesmo com perspectiva de encerramento de uma supersafra no ciclo 2025/2026. As informações ajudam a entender onde o crédito está mais pressionado e quais grupos enfrentam maiores dificuldades de pagamento.
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