- Inadimplência rural encerrou 2025 em oito vírgula dois por cento da população rural no quarto trimestre, alta de um ponto porcentual ante o mesmo período de 2024 (sete vírgula dois por cento).
- O índice ficou em oitocentos e vinte pontos base, com maior parte das dívidas concentradas entre produtores sem informação de registro rural, em nove vírgula nove por cento, seguidos por grandes proprietários.
- A maior parte da inadimplência está em dívidas com instituições financeiras, com sete vírgula dois por cento da população rural inadimplente nesses créditos; a dívida média nesse grupo foi de cento e trinta e oito mil e duzentos reais.
- A situação varia por região: Sul, menor, cinco vírgula sete por cento; Sudeste, sete por cento; Norte, doze vírgula cinco por cento; Centro-Oeste, nove vírgula seis; Nordeste, nove vírgula quatro.
- O Agro Score caiu de seiscentos e dezesseis para seiscentos pontos; o mapeamento envolve onze vírgula três milhões de produtores, com informações vindas de CAR, Cafir, Cadastro Positivo e Sintegra.
A inadimplência no agronegócio brasileiro encerrou 2025 no maior patamar já registrado pela Serasa Experian. O indicador atingiu 8,2% da população rural no quarto trimestre, alta de 1 ponto porcentual frente ao igual período de 2024, quando ficou em 7,2%. Em relação ao terceiro trimestre de 2025, houve aumento de 0,2 ponto porcentual, indicando desaceleração na piora, mas manutenção da pressão financeira no campo.
O levantamento considera dívidas de pessoas físicas da área rural com atraso superior a 180 dias, acima de R$ 1 mil, associadas a operações de financiamento e atividades do agronegócio. A série aponta variação de 7,2% no 4T2024 para 7,6% no 1T2025, 7,9% no 2T2025, 8% no 3T2025 e 8,2% no 4T2025.
Perfil de inadimplência
A maior concentração ocorre entre produtores sem registro rural, grupo que pode incluir arrendatários ou famílias, com 9,9% no 4T2025. Em seguida aparecem grandes proprietários (9,8%), produtores médios (8,3%) e pequenos produtores (7,8%). A inadimplência permanece voltada a dívidas com instituições financeiras, que atingiram 7,2% da população rural no 4T2025.
Dívidas com credores do próprio agronegócio representaram 0,3%, enquanto outros setores da cadeia, como transporte, armazenagem e seguros, somaram 0,2%. Apesar da baixa incidência, as dívidas com credores agropecuários apresentam o maior valor médio entre os inadimplentes: R$ 138,2 mil no 4T2025.
Distribuição regional e estadual
Região Sul registrou o menor índice, 5,7%, seguido pelo Sudeste, com 7%. Norte (12,5%), Centro-Oeste (9,6%) e Nordeste (9,4%) tiveram as maiores taxas. Entre os estados, Rio Grande do Sul apresentou 5,3%, Paraná e Santa Catarina, 6% cada. Amapá chegou a 19,9%.
Entre os grandes produtores, Mato Grosso do Sul atinge 8,2%, Goiás 9,1%, Mato Grosso 10,8%, São Paulo 6,8% e Minas Gerais 6,9%. O RS se destacou pela menor parcela entre os estados, em meio a perdas climáticas recentes, conforme avaliação da Serasa.
Agro Score e cenário financeiro
A Serasa informou que a pontuação média Agro Score caiu de 616 para 600 pontos entre 4T2024 e 4T2025, refletindo cenário mais cauteloso no campo. A instituição destaca que o uso de modelos preditivos baseados em inteligência artificial ajuda a qualificar a análise de risco e a orientar decisões no agronegócio.
Metodologia e mapa de abrangência
O cálculo envolve 11,3 milhões de pessoas físicas mapeadas como população rural, com base em CAR, CAFIR, Cadastro Positivo e SINTEGRA. A Serasa ressalta que, com a atualização do mapeamento, as estatísticas históricas foram refeitas, tornando os números atuais não comparáveis com divulgações anteriores.
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