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Luxo sustentável: viabilidade e impactos no setor de alto padrão

Lipovetsky afirma que a sustentabilidade redefine o luxo: da vitrine à experiência; marcas precisam reinventar o desejo para sobreviver

O luxo pode ser sustentável? — Foto: Arquivo Vogue/MAR+VIN
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  • O filósofo francês Gilles Lipovetsky, em visita ao Brasil, aponta sustentabilidade como principal tensão para as grifes de luxo, em meio a uma crise ambiental que afeta o setor que movimenta mais de 1,5 trilhão de euros ao ano.
  • O debate destaca o paradoxo entre o desejo de eternidade do luxo e a realidade do esgotamento global, desafiando a ideia de perenidade e beleza.
  • Lipovetsky pergunta como manterNarrativa de luxo diante do planeta em crise, ressaltando que não basta salvar o mundo, é preciso salvar o próprio segmento.
  • A solução está na inovação com memória: tornar a sustentabilidade parte legítima do luxo, evitando greenwashing e investindo em serviços e experiências hiperpersonalizados.
  • O luxo, segundo o filósofo, sobreviverá reinvenção: o consumidor atual busca sentir, pertencer e proteção, deslocando o valor do objeto para a experiência, de forma cada vez mais existencial.

O filósofo francês Gilles Lipovetsky esteve no Brasil em maio para discutir sociedade, moda e luxo, temas que acompanham sua carreira há décadas. Em evento da São Paulo Innovation Week, ele dialogou com executivos, pesquisadores e entusiastas sobre os impactos da sustentabilidade no setor.

O encontro ressaltou que a sustentabilidade saiu do campo estritamente ambiental para questionar a própria essência do luxo. Lipovetsky destacou que o setor precisa repensar a relação entre perenidade, beleza e responsabilidade, diante de crises globais que afetam consumo e produção.

A discussão mostrou que o mercado do luxo movimenta mais de 1,5 trilhão de euros ao ano, segundo a Bain Company. Diante desse peso, mudanças ambientais ampliam a urgência de novas estratégias para manter o apelo sem perder a identidade.

O paradoxo entre o eterno e o esgotamento

Historicamente, o luxo operou pela ideia de desejo absoluto, exclusividade e tradição. Hoje, a crise climática impõe um novo eixo: a possibilidade de o conceito de perenidade perder o sentido frente a recursos cada vez mais limitados.

Essa tensão coloca as grifes diante de um desafio estratégico: como manter a narrativa do belo quando o planeta enfrenta esgotamento? A reflexão de Lipovetsky aponta que narrativas puramente românticas não resistem a um cenário de crise ambiental.

A pergunta central para o setor é como sustentar o encanto sem transformar o luxo em promessa vazia. Segundo o filósofo, a resposta não passa apenas por salvar o mundo, mas por preservar a própria viabilidade do segmento.

Inovação com memória como resposta à crise

A saída apresentada passa pela inovação alicerçada no futuro, não apenas na recuperação do passado. Transformar a sustentabilidade em valor legítimo do luxo é o objetivo, especialmente com gerações que desafiam o greenwashing.

Lipovetsky afirma que o luxo precisa ser reinventado para continuar relevante. O foco deve ampliar a oferta para além de objetos, incluindo serviços e experiências hiperpersonalizadas que criem pertencimento e segurança para o consumidor.

Conforme o filósofo, o consumo contemporâneo busca sentir, lembrar e vivenciar momentos. O luxo do futuro tende a privilegiar a experiência e o espaço, deslocando o valor do objeto para o contexto vivido pelo cliente.

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