- O Ibovespa caiu 7,22% em maio, pior desempenho desde fevereiro de 2023, com retirada de estrangeiros de R$ 14,29 bilhões no mês.
- A saída de capital reduziu o apetite por risco, mas abriu oportunidades para investidores de longo prazo, segundo Dalton Gardimam, da Ágora Investimentos.
- Empresas com menor alavancagem passam a parecer mais atrativas a médio prazo, especialmente após a recuperação de ações a níveis mais acessíveis.
- O desempenho trimestral não foi ruim, mas juros elevados comprimiram lucros, impactando especialmente varejo e construção, como Magazine Luiza e MRV.
- Projeções indicam continuidade de juros altos no curto prazo, com o Banco Central devendo reduzir a Selic em cerca de 0,25 ponto percentual, mantendo uma postura defensiva em junho.
O Ibovespa teve queda expressiva em maio, recuando 7,22%, o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023. O movimento foi impulsionado pela mudança no fluxo de capital estrangeiro, com retirada de R$ 14,29 bilhões no mês. Parte do capital que havia migrado para emergentes voltou aos Estados Unidos diante da reavaliação positiva de grandes empresas de tecnologia.
Segundo Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora Investimentos, as companhias de tecnologia dos EUA investem pesado em data centers com recursos próprios e apresentam baixo endividamento. Isso tende a sustentar investimentos até 2026 ou 2027, favorecendo uma visão de médio prazo para o mercado brasileiro. O analista aponta que a queda no índice pode criar oportunidades para quem pretende investir no médio prazo.
Mercado e cenário externo
O ambiente de juros elevados segue pressionando empresas mais sensíveis ao crédito e ao consumo. Varejistas e construtoras foram os destaques negativos, como Magazine Luiza e MRV, que registraram quedas de dois dígitos. O economista destaca o endividamento das famílias e o custo do crédito como fatores que limitam o consumo e o crescimento setorial.
A temporada de resultados do primeiro trimestre, na visão de Gardimam, não foi ruim. Vendas, receitas e margens operacionais ficaram sólidas, mas as despesas financeiras devido aos juros impactaram os lucros. Ambev, Usiminas e Cury se destacaram por fatores específicos de seus negócios, ainda que o cenário macroeconômico permaneça desafiador para o conjunto das companhias listadas.
Política, juros e perspectivas
Apesar de ruídos políticos e impactos pontuais, a eleição presidencial ainda não é o principal motor de preços. O mercado opera com cenário de disputa aberta, sem favorito claro, priorizando juros, inflação, fluxo estrangeiro e cenário internacional. Gardimam afirma que o mercado observa com atenção a trajetória da Selic, prevendo cortes adicionais de 0,25 ponto percentual, dada a necessidade de reduzir a taxa real.
Para os próximos meses, a Ágora mantém postura cautelosa. A combinação de juros elevados, desaceleração econômica gradual e incertezas externas sugere foco em empresas menos alavancadas e mais resilientes. Apesar de a Bolsa parecer mais atrativa, não há gatilhos suficientes para uma postura agressiva em setores de consumo e crédito.
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