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Ministro da Fazenda aponta impacto econômico da decisão de Trump sobre facções

Durigan afirma que a classificação de facções como terroristas pelos EUA pode elevar custos no sistema financeiro, frear investimentos e aumentar risco percebido no Brasil

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  • O ministro da Fazenda afirma que a classificação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas pelos EUA pode elevar custos no sistema financeiro e aumentar a percepção de risco no Brasil.
  • Segundo ele, instituições financeiras já elevam gastos para evitar sanções, o que tende a gerar mais tarifas e custos repassados aos clientes.
  • O ministro alerta ainda sobre efeitos de longo prazo, com possível redução de investimentos internacionais em infraestrutura, bolsa e obras públicas.
  • O governo brasileiro diz manter diálogo com os Estados Unidos; Lula solicitou apoio para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado.
  • Durigan critica o anúncio feito sem aviso prévio e diz que, no BRB, a responsabilidade pela recuperação é do Governo do Distrito Federal, já que o acordo não prevê recursos federais.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a classificação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas pelos Estados Unidos pode impactar o sistema financeiro e aumentar a percepção de risco sobre o Brasil. A declaração foi feita durante a estreia do telejornal VEJA em Foco, em entrevista conduzida por Marcela Rahal.

Durigan destacou que, embora o combate ao crime seja prioridade, é preciso cautela quanto aos instrumentos escolhidos. Ele ressaltou que qualquer medida eficaz no enfrentamento dessas organizações é bem-vinda, desde que não haja pressão ou intimidação indevidas.

Impactos financeiros de curto prazo

Os impactos imediatos citados pelo ministro incluem custos adicionais para instituições financeiras, com potencial repasse a clientes. Segundo ele, podem ocorrer elevações de tarifas e taxas, elevando o custo do crédito e do serviço financeiro. Bancos e outras instituições acompanham o tema com preocupação.

Além disso, Durigan apontou riscos de longo prazo, como a criação de uma percepção de maior risco entre investidores internacionais. Ele afirmou que esse cenário pode dificultar investimentos em infraestrutura, na bolsa de valores e em obras públicas de longo prazo.

Cooperação com Washington e perspectivas

Ao ser questionado sobre reversão da decisão, o ministro disse que o Brasil busca manter diálogo com autoridades americanas. Ele mencionou que o presidente Lula solicitou apoio dos EUA para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado e compartilharam resultados de operações nacionais.

Durigan comentou que há investigações que identificaram fluxo de recursos ilícitos movimentados pelo crime organizado e enviados aos Estados Unidos. O governo brasileiro defende ampliar a cooperação para localizar ativos no exterior e fortalecer o enfrentamento ao tráfico de armas e drogas sintéticas.

Contenção de insatisfação e diálogo contínuo

O ministro afirmou que houve insatisfação com o anúncio, pois não houve aviso prévio do Departamento de Estado. Mesmo assim, destacou a continuidade do diálogo com Washington e reiterou que manterá canais abertos com autoridades americanas, para tratar de temas como cooperação financeira e segurança.

Panorama econômico para o fim do mandato e negociações comerciais

Durigan disse que o governo espera entregar o país em situação mais estável do que a encontrada no início do mandato. Citou indicadores de emprego, inflação e crescimento como sinais de melhoria e comprometimento com metas fiscais.

Sobre negociações com Washington, o ministro apontou que os questionamentos norte-americanos foram respondidos e avaliou que houve receptividade aos esclarecimentos. Mesmo assim, percebe a possibilidade de barreiras comerciais em setores específicos, como etanol, soja e carne, sem que haja punição política.

Caso BRB e responsabilidade local

Em relação ao Banco Regional de Brasília, Durigan classificou como grave a origem dos problemas envolvendo o BRB e afirmou que a recuperação financeira é responsabilidade do Governo do Distrito Federal. Disse que o acordo não prevê uso de recursos federais para cobrir prejuízos, cabendo ao GDF apresentar um plano de recuperação.

O ministro encerrou destacando a necessidade de soluções locais para a crise, evitando que custos recaíam sobre o conjunto do país, e reiterou a disposição de manter o diálogo com autoridades dos Estados Unidos.

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