- A inteligência artificial está reduzindo a necessidade de consultoria tradicional, já que muitas empresas passam a investigar internamente com IA, em vez de contratar.
- O impacto não é apenas conjuntural: até consultores de grandes firmas relatam quedas em demanda e demissões, com mudanças de estratégia em andamento.
- A visão clássica de que “a consultoria é apenas pesquisa e rascunho” não basta; o que resta relevante é a capacidade de orientar decisões, executar e gerir transformações.
- O valor humano se desloca para a etapa de decisão, execução e gestão, onde a experiência acumulada ao longo da carreira é menos replicável pela IA e pode justificar a atuação do chamado trusted advisor.
- O artigo pergunta o que, exatamente, o consultor ainda vende caso a parte analítica passe a custar zero, sugerindo que apenas quem se reposicionar para além da análise sobreviverá.
A consultoria enfrenta uma transformação impulsionada pela inteligência artificial. O artigo analisa como contratos diminuíram e reuniões viraram “vou pensar” em diversos setores, com empresas buscando soluções internas via IA. O autor, Edson Santos, aponta mudanças graduais e rápidas no mercado.
Segundo o texto, muitos clientes passaram a investigar internamente, antes dependentes de consultorias. Fracamente, consultores experientes relatam o mesmo fenômeno em diferentes escalas, indicando uma tendência de mercado mais ampla do que apenas casos isolados.
O movimento ganhou notoriedade ao longo dos últimos anos, com o surgimento de novidades em tecnologia e gestão. A ideia central é que a IA pode realizar grande parte do trabalho de pesquisa, análise e primeira proposta. O desafio é entender o que resta à atuação humana.
O autor relembra a palestra no Vale do Silício que citou: The consulting of the future is education. A partir daí, ele descreve uma prática de trabalho em que quem trabalha com ele também ensina, num ciclo constante de aprendizado mútuo.
Em 2013, Christensen publicou um estudo na Harvard Business Review sobre a disrupção no setor de consultoria. O diagnóstico mostrava queda de participação de trabalho estratégico nas grandes firmas, o que repousava sobre a necessidade de evolução do modelo de negócio.
Entre 2025 e 2026, a indústria vive novas mudanças. A McKinsey reduziu posições desde 2023, com cerca de 5 mil cortes já feitos e planos de redução adicionais. A empresa soma 25 mil profissionais de IA ao lado de 40 mil humanos.
A explicação envolve fatores como acordos polêmicos, contratos governamentais, retração de demanda e o crescimento da IA. A firma sinaliza que parte do pagamento dependerá de resultados, migrando de modelo fee-for-service.
O texto afirma que a maior parte do que a consultoria vendia não era apenas conhecimento, mas benchmarks, metodologias e decks. A IA facilita esse tipo de trabalho, que vira commodity, elevando a pressão sobre quem vende apenas análise.
Segundo o autor, a pergunta central passa a ser o que, no que faz um consultor sênior, a máquina não faz. A resposta reside em decisão, execução e gestão, campos em que a experiência acumulada ainda é essencial.
A conclusão não é de fim da profissão, mas de separação entre quem vende apenas análise e quem se posiciona onde a IA ainda não alcança. O conceito de trusted advisor surge como guia para a nova era.
Edson Santos, fundador da Colink, traz a visão de que o valor está na orientação criteriosa e na gestão de riscos compartilhada com o cliente. O texto reforça a necessidade de adaptação para quem atua no setor de serviços profissionais.
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