- Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, advertiu em entrevista que o crescimento do Estado representa risco à competitividade do varejo brasileiro.
- Ele afirma que a carga tributária real é maior do que os 32% divulgados, atingindo parte da economia formal e testando os limites da tributação.
- Rocha aponta o recorde de ações trabalhistas no Brasil, com cerca de 3 milhões de ações entre as 4 milhões registradas no mundo.
- O empresário afirma que os ganhos da reforma trabalhista foram desidratados por decisões judiciais, revertendo avanços nas relações entre capital e trabalho.
- Sobre a tentativa de isenção na chamada “taxa das blusinhas” para importações até 50 dólares, defende maior equidade tributária para enfrentar a concorrência asiática e evitar perda de competitividade.
Flávio Rocha, presidente da Riachuelo, comentou, em entrevista ao Hot Market, os impactos do crescimento do Estado brasileiro sobre o ambiente de negócios. O empresário disse que o aumento do peso estatal compromete a competitividade do varejo nacional, citando gasto público crescente e comparação com padrões internacionais.
Rocha utilizou uma analogia para explicar o peso da atuação estatal sobre o setor produtivo. Segundo ele, a economia funciona como uma carruagem, na qual o peso do Estado se soma à força de tração da atividade privada. A mensagem central é que a competitividade depende da relação entre esse peso e a capacidade produtiva.
O empresário afirmou que o Estado tem se hipertrofiado de forma preocupante, associando esse fenômeno a impactos diretos sobre a eficiência do varejo. Ele aponta que o ambiente regulatório e fiscal afetam a tomada de decisões empresariais e a atração de investimentos.
Carga tributária e ações trabalhistas
Rocha afirmou que a carga tributária real é maior do que os 32% anunciados, destacando que essa faixa incide sobre apenas parte da economia formal. Observou que, se 60% da economia é formal, a tributação efetiva se torna ainda mais elevada e difícil de sustentar para o varejo.
O presidente da Riachuelo também destacou o elevado volume de ações trabalhistas no Brasil. Segundo ele, grande parte das ações movidas globalmente ocorreu no país, o que, na visão dele, compromete a previsibilidade de custos para as empresas. Ele comentou ainda que os avanços da reforma trabalhista teriam sido reduzidos por decisões judiciais, alterando o equilíbrio entre capital e trabalho.
A isenção tributária e a concorrência asiática
Questionado sobre a isenção em importações de até 50 dólares, Rocha defendeu a manutenção de uma tributação equitativa entre players do mesmo setor e criticou desequilíbrios competitivos. Ele afirmou que condições desiguais dificultam a atuação de empresas nacionais diante de concorrentes com regras menos severas.
O empresário reforçou que, com a globalização, o Brasil passou a conviver com uma concorrência global que tensiona a competitividade de setores produtivos nacionais. Ele alertou para o risco de o país perder mais recursos produtivos se não houver equilíbrio regulatório e trabalhista, especialmente frente a concorrentes asiáticos.
Rocha concluiu enfatizando a importância de preservar o que ainda resta de competitividade industrial no Brasil, sem fazer julgamentos, apenas apontando riscos para o cenário setorial. A entrevista completa foi veiculada pelo Hot Market.
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