- O projeto CONSERV, criado pelo IPAM, paga proprietários para manter vegetação nativa, protegendo 20.707 hectares no Cerrado e na Amazônia durante o piloto entre 2020 e 2024; contratos atuais mantêm mais 7.000 hectares com apoio do Soft Commodities Forum.
- Na Fazenda Natureza Feliz, de 17 mil hectares em Mato Grosso, o proprietário recebe uma “quarta colheita” pela floresta preservada; no piloto, Simonetti recebeu entre R$ 250 e R$ 400 por hectare para o excedente de reserva legal.
- Dados apontam risco expressivo de desmatamento em áreas privadas; a reserva legal varia conforme o bioma (Amazonas com 80% de proteção; Cerrado, 20%), com grandes áreas passíveis de conversão legalmente.
- A partir de mecanismos de financiamento, o IPAM busca ampliar o CONSERV: créditos de carbono, prêmios de pagamento por produtos de propriedades alinhadas a regras ambientais e acesso a empréstimos com vantagens, buscando tornar o projeto sustentável sem depender de doações.
- O programa já mostrou diminuição de incêndios nas áreas protegidas e maior integração entre vizinhos; autoridades destacam que é necessário combinar várias fontes de financiamento para manter a proteção a longo prazo.
O projeto CONSERV, criado para remunerar proprietários rurais que mantêm áreas de vegetação nativa, busca ampliar sua atuação no Mato Grosso e no Pará. A iniciativa é liderada pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas IPAM, com apoio de parceiros públicos e privados. O objetivo é manter florestas em áreas permitidas para corte, promovendo preservação ambiental sem proibir a expansão agrícola.
Oados IPAM avalia contratos com base em risco de desmatamento, valor dos serviços ambientais e custo por hectare. Em cada ciclo, as propriedades recebem pagamentos semestrais, condicionados a monitoramento por satélite e vistorias no terreno. Entre as exigências estão planos de manejo e conformidade com o Código Florestal.
Carlos Roberto Simonetti representa o caso emblemático: ele administra a Fazenda Natureza Feliz, em Mato Grosso, com 17 mil hectares. Além da produção de milho, soja e algodão, ele mantém vegetação nativa protegida, recebendo recursos do CONSERV pela reserva legal excedente.
Entre 2020 e 2024, o piloto da CONSERV atuou em 23 propriedades, protegendo cerca de 20,7 mil hectares nos biomas Cerrado e Amazônia com recursos da Noruega e dos Países Baixos. Hoje, contratos adicionais, financiados por membros do Soft Commodities Forum, protegem mais 7 mil hectares.
O objetivo do IPAM agora é ampliar o programa sem depender de doações. O estudo publicado neste ano aponta três vias para financiar a expansão: créditos de carbono, prêmios de pagamento por conformidade com regras de desmatamento e acesso a empréstimos com juros reduzidos. A viabilidade depende de pagamentos estáveis e mecanismos regulatórios.
Profissionais como André Guimarães, diretor executivo do IPAM, destacam que a retenção de áreas protegidas reduz riscos de fogo, facilita a convivência com vizinhos e pode melhorar a biodiversidade. O programa também envolve verificação por terceiros para confirmar a conformidade com a legislação ambiental.
Defensores do Cerrado ressaltam que grande parte do desmatamento ocorre em terras privadas e que áreas com proteção adicional podem evitar conversões. Observam ainda que o equilíbrio entre preservação e produção é essencial para a segurança alimentar global e para a sustentabilidade do setor.
A perspectiva de longo prazo envolve combinar mecanismos de financiamento. Além de carbono, podem surgir incentivos de mercado que favoreçam propriedades que mantêm florestas, especialmente aquelas em áreas com regras mais rigorosas. A continuidade dos pagamentos é crucial para a permanência das áreas protegidas.
Simonetti afirma que a renda do CONSERV ajuda a manter áreas produtivas e a evitar queimadas. A expectativa é de retorno contínuo assim que nova fonte de financiamento for definida. O agricultor ressalta a importância de assegurar o legado florestal para as futuras gerações.
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