- Entre 2015 e 2024, eventos climáticos extremos custaram R$ 61 bilhões aos cofres públicos brasileiros, segundo a Codex com base na Plataforma Nacional de Informações sobre Desastres.
- Estudos do World Resources Institute indicam retorno de até US$ 10 para cada dólar investido em adaptação ao clima ao longo de uma década.
- Pesquisas mostram que 77% dos brasileiros já tiveram prejuízos ou foram afetados por eventos climáticos severos.
- No ESG Summit, realizado em 28 de maio em São Paulo, especialistas discutiram como preparar cidades, cadeias produtivas e comunidades para cenários de maiores extremos.
- O Plano Clima de Adaptação, lançado pelo Governo Federal em fevereiro, reúne 16 planos setoriais e visa transformar planejamento em execução com engajamento de estados e municípios.
Durante o ESG Summit 2026, em São Paulo, especialistas discutiram a adaptação climática como prioridade para cidades, cadeias produtivas e comunidades, diante de eventos extremos mais frequentes. O encontro ocorreu no dia 28 de maio, promovido pela EXAME.
Dados evidenciam a dimensão da crise: entre 2015 e 2024, custos públicos com eventos climáticos extremos somaram 61 bilhões de reais, segundo a Codex, com base na Plataforma Nacional de Informações sobre Desastres. A leitura é de que o problema já chegou às contas públicas.
Ao mesmo tempo, estudos do World Resources Institute indicam que cada dólar investido em adaptação pode gerar até dez dólares em benefícios ao longo de uma década, mostrando retorno econômico relevante. Pesquisa da Descarbonize Soluções aponta que 77% dos brasileiros sofreram prejuízos ou impactos diretos.
Essa conjuntura explica a migração da gestão de riscos climáticos da esfera ambiental para estratégias de governos, empresas e investidores, com foco na resiliência e na qualidade de vida das populações afetadas.
Uma agenda além das emissões
Durante décadas, a mitigação foi o polo central da pauta climática; reduzir emissões parecia suficiente para mitigar impactos futuros. A demora na implementação de outras medidas ampliou ocorrências climáticas intensas, conforme análise de Marcelo Furtado.
A tragédia no Rio Grande do Sul, em 2024, é citada como exemplo de vulnerabilidade do país a choques climáticos, destacando que os impactos variam conforme o perfil de cada região, o que reforça a necessidade de soluções diferenciadas.
Caroline Medeiros Rocha Frasson, diretora-executiva da Laclima, ressalta que a discussão se tornou vital para países em desenvolvimento como o Brasil, com menor capacidade de recuperação diante de desastres.
Questão de sobrevivência
Parte desse movimento envolve o Plano Clima de Adaptação, lançado pelo governo federal em fevereiro, para orientar ações frente às mudanças climáticas. O plano reúne 16 planos setoriais sobre cidades, infraestrutura, indústria, agropecuária, gestão de riscos e oceanos.
A executiva da Laclima destaca que o avanço transformou o problema em uma agenda estruturada, com metas, indicadores e mapeamento de fragilidades setoriais, ampliando o debate para além do âmbito ambiental.
Para Furtado, a pergunta crucial para as empresas é se o negócio manterá viabilidade diante dos impactos climáticos nos próximos anos, especialmente em cadeias de valor, comportamento do consumidor e pressão por transparência.
Segundo ele, mesmo quem não adota a lente ESG pode reconhecer a importância da resiliência corporativa, entendendo-a como requisito de continuidade operacional e competitiva.
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