- Em 2025, as importações de calçados cresceram 20,6% e chegaram a 43,2 milhões de pares, o maior volume em dez anos, puxadas pela China, Vietnã e Indonésia (78,5% das compras).
- A produção nacional caiu 1,9%, totalizando 847,5 milhões de pares, com a capacidade instalada em 73% e uma fábrica parada em média de uma em cada quatro máquinas.
- O emprego no setor recuou 1,1% em 2025, com cerca de 3 mil vagas a menos, totalizando 271,4 mil empregos formais.
- As exportações somaram US$ 958 milhões no ano, queda de 1,8%, principalmente devido às tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
- O governo anunciou o fim da cobrança de imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50, o que pode ampliar ainda mais as compras externas.
O setor brasileiro de calçados viveu em 2025 um cenário de competição acentuada com importações baratas, especialmente da China. Um par importado chegou ao Brasil com preço médio de apenas US$ 4,50, número que ajuda a explicar a queda na produção nacional, mesmo diante de leve alta de preços internos.
As importações cresceram 20,6% no ano, totalizando 43,2 milhões de pares, o maior volume em dez anos. Enquanto isso, a produção nacional recuou 1,9%, para 847,5 milhões de pares, e a utilização da capacidade instalada caiu a 73%, o menor nível dos últimos três anos. O varejo de roupas, tecidos e calçados ampliou-se pouco, em 1,3%.
A indústria fechou o ano com queda no emprego formal: 271,4 mil vagas, (-1,1%). O principal polo exportador, o Rio Grande do Sul, registrou retração de 5,7% no emprego. Estados como Bahia e Paraná tiveram avanços de 7,1% e Paraíba, 3,3%. Nordeste responde hoje por mais da metade da produção nacional.
Pressão externa e composição das compras
As pressões vieram majoritariamente da Ásia. China, Vietnã e Indonésia responderam por 78,5% dos pares importados em 2025, enquanto Vietnã, Indonésia e Itália concentraram 82,5% do valor das compras. Além dos exportadores tradicionais, Paraguai, Filipinas e Equador passaram a ganhar espaço, com aumentos expressivos em 2025. O cenário externo foi impactado também pela redução de tarifas, anunciada pelo governo brasileiro, que deve acelerar as compras externas.
Desempenho externo e perspectivas para 2026
As exportações brasileiras somaram US$ 958 milhões em 2025, queda de 1,8% frente a 2024, com os EUA mantendo-se como principal destino, apesar de tarifações que reduziram as vendas para aquele mercado em aproximadamente um terço ao longo de quatro meses. O montante recebido dos EUA foi de US$ 211,7 milhões, 2,1% abaixo do registrado no ano anterior.
Para 2026, a Abicalçados aponta cenário de incerteza: produção pode cair mais 1,2% no cenário mais pessimista, ou avançar até 1,4% no mais otimista. As exportações devem seguir pressionadas por tarifas, desaceleração da Argentina e custos logísticos globais mais altos. O setor movimenta cerca de R$ 40 bilhões por ano e emprega mais de 271 mil pessoas, mantendo o desafio de manter espaço no mercado diante de concorrentes com preços muito baixos.
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