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Bolsa se mantém firme e ganha fôlego com novo tarifaço de Trump

Ibovespa avança 1,16% com tarifa dos EUA e 73 páginas de exceções; Vale, Gerdau, Usiminas e CSN puxam o pregão, dólar recua e juros refletem volatilidade de curto prazo

Por que a bolsa não só ignorou, mas ganhou fôlego com o novo tarifaço de Trump? — Foto: Leon Neal/Getty Images
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  • O Ibovespa subiu 1,16%, fechando aos 174 mil pontos, com 58 das 79 ações do índice em alta, puxadas por Vale, Gerdau, Usiminas e CSN.
  • A nova tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras veio com 73 páginas de exceções, e entrará em vigor em quinze de julho.
  • O governo americano reduziu tarifas de alguns produtos de aço e alumínio de 25% para 15%, e criará uma opção de 10% para itens com pelo menos 85% de aço ou alumínio produzidos nos EUA.
  • O dólar à vista caiu 0,3%, para 5 reais, em um dia de recuperação de ativos de risco, com apoio de PMI industrial dos EUA em alta.
  • No mercado de juros, os contratos DI para janeiro de dois mil e vinte e sete caíram de 14,18% para 14,17% ao ano; prazos mais longos sinalizam preocupação com calote do governo e volatilidade fiscal.

A bolsa brasileira ignorou parcialmente o novo tarifaço anunciado pelos EUA e ganhou fôlego com o setor de metais. A notícia foi divulgada nesta terça-feira, 2 de julho, e envolve uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras. O mercado entendeu que há 73 páginas com exceções, o que reduziu o peso efetivo da medida. A implementação depende de audiência pública e entra em vigor em 15 de julho, se aprovada.

O Ibovespa fechou em alta de 1,16%, aos 174 mil pontos. A Semana acumula ganho de 0,24% e o ano, 8%. O movimento ocorreu apesar da tensão diplomática entre Brasil e EUA, que deve seguir em andamento durante o processo legislativo. Mineradoras e siderúrgicas puxaram a valorização, com Vale, Gerdau, Usiminas e CSN entre os destaques.

Desdobramentos do pacote e impactos setoriais

As ações dessas empresas caminharam em bloco, elevando o tom de recuperação para o setor de metais. Das 79 ações que compõem o Ibovespa, 58 tiveram valorização no dia. O componente de aço e minério influenciou positivamente o índice, ajudado pela alta do minério de ferro.

Ao mesmo tempo, o governo americano assinou uma proclamação para reduzir tarifas da Seção 232 de aço e aço derivados. Algumas categorias, como maquinário agrícola e equipamentos residenciais, passaram de 25% para 15%. Empresas estrangeiras podem ter tarifas de 10% se incluírem pelo menos 85% de aço ou alumínio produzidos nos EUA.

A redução ocorre em meio a dados de atividade industrial dos EUA, com o PMI do setor subindo para 54 pontos em maio, o maior nível em quatro anos. A maior atividade favorece o fluxo de matéria-prima exportada, com efeito indireto sobre o preço de aço e minério.

Câmbio e cenário macro

O dólar comercial caiu 0,3%, para cerca de R$ 5,00. Na semana, a moeda acumula queda de 0,7% e, no ano, recuo de aproximadamente 8,74%. O giro financeiro do Ibovespa ficou em R$ 16,4 bilhões, abaixo da média de 12 meses, de R$ 18,3 bilhões.

Os juros exibiram trajetória distinta: o DI para janeiro de 2027 ficou estável em 14,17% ao ano, enquanto prêmios de curto prazo seguem ligados a expectativas sobre a Selic. No médio prazo, o DI para janeiro de 2031 subiu para 14,06% ao ano, e para janeiro de 2036, 14,11%.

Perspectivas e leitura do mercado

Analistas apontam que a descompressão de curto prazo no câmbio e nos juros reflete, em parte, a reabertura do Estreito de Ormuz e a queda de petróleo, reduzindo pressões inflacionárias de curto prazo. Contudo, há preocupação com o peso de fatores políticos e fiscais no longo prazo.

O mercado sinaliza expectativa de alívio monetário no curto prazo, mas mantém dúvidas sobre a trajetória da dívida pública e o gasto público no médio e longo prazo. A leitura geral é de cautela, com perspectivas divergentes entre cenário de curto prazo e estrutura fiscal de longo prazo.

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