- A operação Fluxo Oculto cumpriu 59 mandados em seis fintechs e quatro fundos de investimento, detectando movimentação de mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025 vinculada a criminosos.
- As fintechs atuavam como “bancos paralelos”, inserindo recursos de origem ilícita no sistema financeiro e facilitando o ocultamento de patrimônio por meio de fundos de investimento.
- A investigação aponta convergência entre criminosos: várias organizações passaram a usar as mesmas plataformas, não sendo exclusivas ao PCC.
- Autoridades adotaram medidas regulatórias recentes, como a e-Financeira (identificação de movimentações), a DeCripto (informações mensais sobre cripto ativos) e regras do Banco Central para conter contas-bolsão e novas instituições de pagamento.
- A classificação dos PCC e CV como organizações terroristas pelos Estados Unidos aumenta o debate sobre possíveis impactos regulatórios no mercado financeiro brasileiro e nas operações de empresas que mantêm relação com o exterior.
Operação Fluxo Oculto aponta que seis fintechs captaram mais de R$ 26 bilhões para organizações criminosas, em meio a investigações sobre lavagem de dinheiro no coração financeiro de São Paulo. A ação foi deflagrada em 29 de maio, cumprindo parte de 59 mandados de busca e apreensão em fintechs e fundos de investimento.
As apurações indicam que as fintechs atuavam como canais para inserir dinheiro de origem ilícita no sistema financeiro, desviando recursos entre 2022 e 2025. Os recursos eram intermediados por fundos de investimento, que ocultavam o patrimônio dos acusados ao estruturar camadas de investimentos e repasses.
De acordo com o Ministério Público do Estado de São Paulo, a Receita Federal e a ANP, as fintechs funcionavam como bancos paralelos, facilitando a entrada de recursos ilícitos no circuito financeiro. O patrimônio era movimentado por meio de estruturas de fundos, com potenciais repasses ao exterior.
A investigação também aponta que o uso de fintechs não se restringiu a uma única organização criminosa. Além do PCC, outras facções estariam recorrendo aos mesmos espaços de fluxo financeiro, ampliando o risco para o sistema financeiro.
Especialistas destacam o papel das fintechs no atual cenário regulatório. Enquanto os bancos tradicionais possuem regras mais rígidas, instituições de pagamento enfrentam exigências menores, o que facilita operações de difícil rastreamento. Medidas recentes visam reduzir esse espaço vicioso.
Os órgãos de fiscalização vêm reforçando controles. Três das seis fintechs apuradas já cumpriam as obrigações com a e-Financeira; as outras três não enviavam informações, o que acende alerta sobre lacunas na supervisão. A coordenação entre Receita, BC e CVM é enfatizada pelas autoridades.
A comunidade regulatória brasileira discute impactos da classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA. Analistas sinalizam riscos para empresas com atuação internacional, principalmente em relações com o sistema financeiro global.
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