- Brasil perde cerca de 40 TWh de energia elétrica por ano devido a furtos e fraudes; em 2024 foram 40,2 TWh.
- As perdas não técnicas geraram aproximadamente R$ 10,3 bilhões em 2024, sendo R$ 7,1 bilhões repassados às tarifas dos consumidores.
- Duas distribuidoras concentram mais de um terço das perdas: Light (~22%) e Amazonas Energia (~12%), com as dez maiores firmas respondendo por quase 75%.
- Em comparação internacional, a média da OCDE é de cerca de 6% de perdas; o Brasil fica em torno de 14%, o que, se igualado ao Chile, poderia economizar cerca de 28 TWh por ano.
- A renovação das concessões, por meio do decreto 12.068/2024, introduz áreas com Severas Restrições Operativas; há limitações no uso de dados de áreas, depende de informações do IVS Ceri e do Censo 2022 para aperfeiçoar a cobrança e a gestão.
O Brasil perde cerca de 40 TWh de energia elétrica por ano devido a furtos e fraudes. Em 2024, o desperdício atingiu 40,2 TWh, volume superior à geração anual da usina Belo Monte. O dado vem de relatório recente do Tribunal de Contas da União (TCU).
A prática de ligação irregular, conhecida como gato, não gera economia real. O custo não some: ele é repassado por meio de tarifas. Em 2024, as perdas não técnicas somaram R$ 10,3 bilhões, dos quais R$ 7,1 bilhões foram rateados entre os consumidores que pagam regularmente.
Esse desperdício impacta tarifas, investimentos e qualidade do serviço. Parte das perdas fica com as distribuidoras, reduzindo retorno, capacidade de investir e modernizar redes. O efeito é sentido por toda a sociedade.
Duas distribuidoras concentram mais de um terço das perdas nacionais. A Light responde por cerca de 22% do total e a Amazonas Energia, por aproximadamente 12%. As dez maiores especializam-se em altos índices de perdas, respondendo por quase 75%.
A comparação internacional ajuda a entender o cenário. A média de perdas na OCDE fica em torno de 6%; o Chile apresenta resultado semelhante. O Brasil opera próximo de 14%, sem relação direta com geografia. A mudança institucional pode gerar ganho significativo de energia.
Parte das perdas decorre de vulnerabilidade social, urbanização precária e falta de acesso formal à energia. Outra parte resulta do controle territorial de organizações criminosas ou da percepção de impunidade. Políticas únicas acabam ineficientes diante dessas realidades.
A renovação das concessões abre espaço para tratar o tema com maior precisão. O novo modelo reconhece Áreas com Severa Restrição Operativa (ASROs), territórios com obstáculos adicionais para atuação das distribuidoras. Contudo, há críticas sobre a delimitação dessas áreas.
Atualmente, a classificação utiliza CEPs, unidade geográfica aggregada. Um mesmo CEP pode abranger áreas com diferentes níveis de acesso e controle. A discrepância pode levar a políticas públicas inadequadas para problemas distintos.
Instrumentos como o IVS Ceri, que mede vulnerabilidade em nível de setor censitário, podem oferecer diagnósticos mais precisos. Ainda assim, parte dos dados depende do Censo 2022, cuja divulgação completa ainda não ocorreu.
O debate não é apenas sobre combate ao furto. Trata-se do futuro do setor elétrico, especialmente diante de planos para atrair data centers, ampliar a eletrificação e modernizar redes. Recuperar parte da energia perdida é visto como via rápida e barata para preparar o sistema.
A renovação das concessões oferece oportunidade de alinhar contratos, incentivos e tecnologia às necessidades de um setor em transformação. Reduzir perdas não técnicas pode favorecer a justiça tarifária e a modernização do parque elétrico.
Perspectivas estratégicas
- Oportunidade de reduzir perdas com mudanças regulatórias e maior fiscalização.
- Investimentos em infraestrutura, tecnologia e resiliência para suportar demanda de data centers e mobilidade elétrica.
- Importância de dados mais granulares para direcionar políticas públicas eficientes.
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