- Ipsos aponta melhora no humor econômico do Brasil: 35% avaliam a situação como boa, 4 pontos acima de abril, e 39% dizem que o país está no caminho certo.
- As principais preocupações permanecem: crime e violência citados por 48% dos entrevistados; corrupção e pobreza/desigualdade, 36% cada; saúde, 35%; impostos, 29%.
- O otimismo tem alta expressiva: o índice de quem acredita no caminho certo subiu 7 pontos em relação a abril.
- A melhora econômica é associada à queda do desemprego e à renda real do trabalho acima da inflação, o que tende a impulsionar o consumo.
- No entanto, juros elevados e endividamento das famílias dificultam a percepção de melhora gradual, com cerca de 49,4% da renda comprometida pela dívida em doze meses.
A percepção sobre a economia brasileira ganhou fôlego em maio, segundo a edição do levantamento What Worries the World do Ipsos. O estudo aponta que 35% dos participantes consideram a economia do Brasil positiva, 4 pontos acima de abril. Ainda assim, as principais preocupações permanecem.
O humor econômico avança mesmo com a continuidade de temas como corrupção, violência e pobreza entre as lembranças mais citadas. No conjunto, crime e violência aparecem como preocupação de 48% dos brasileiros, com alta em relação a abril.
Entre as principais razões para o otimismo, o Ipsos destaca o menor desemprego e a recuperação de renda. Dados do IBGE indicam 5,8% de desemprego no trimestre encerrado em abril, o que dialoga com a percepção de melhora na renda real.
A pesquisa aponta ainda que 36% citam corrupção e 36% apontam pobreza e desigualdade social como gravidades a enfrentar. Impostos aparecem em menor escala, com 29% de menções entre os entrevistados.
[CONTEXTO E INTERPRETAÇÃO]
Para o economista Renan Pieri, da FGV EAESP, a melhora decorre do mercado de trabalho e da renda real acima da inflação, o que impulsiona consumo. No entanto, ele alerta que o otimismo ainda é frágil, diante de juros altos e endividamento elevado.
Outro analista, Diego Pagura, da Ipsos Brasil, ressalta que a percepção positiva não elimina dificuldades de preservação do padrão de vida ante a inflação. O consumo tende a sustentar-se, mas com cautela entre famílias endividadas.
Mesmo com sinalizações de recuperação, o especialista indica que o cenário é de estabilização gradual. Serviços aquecidos e possível queda sazonal de preços de alimentos sugerem continuidade de movimentos moderados no curto prazo.
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