- Governo abre caminho para contratar energia gerada por fontes solar e eólica armazenada em baterias, após críticas ao megaleilão de térmicas e hidrelétricas de março.
- O ministro Alexandre Silveira anunciou que, nesta quarta-feira, 3, será publicada a portaria com as diretrizes do primeiro leilão de baterias, previsto para acontecer em dezembro; a Aneel aprovou as bases iniciais para a entrada das baterias no sistema.
- Há divergência entre especialistas: as baterias são vistas como necessárias, mas há dúvidas sobre a segurança do sistema e o eventual impacto na conta de luz.
- O megaleilão de março contratou cerca de 19 gigawatts de potência de usinas termelétricas e hidrelétricas, valor que supera a capacidade instalada de Itaipu e pode pressionar tarifas.
- A tendência é que o armazenamento complemente as térmicas, aumentando flexibilidade do sistema; há discussões sobre custos, já que a legislação permite que os custos das baterias fiquem com os geradores, o que pode levar a judicialização.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu caminho para contratar energia gerada por fontes solares e eólicas, armazenada em baterias, após críticas ao megaleilão de usinas térmicas e hidrelétricas realizado em março. A medida foi anunciada com a expectativa de realizar o leilão de baterias em dezembro.
Na terça-feira (2), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou que será publicada na quarta-feira (3) uma portaria com as diretrizes do primeiro leilão de baterias. Paralelamente, a Aneel aprovou, também hoje, as bases iniciais para a entrada das baterias no sistema elétrico.
Governo avança com leilão de baterias
Especialistas divergem sobre o impacto financeiro e a segurança do sistema com baterias. Pequenos avanços indicam maior flexibilidade para o funcionamento durante períodos de estiagem ou pico de demanda, entre 18h e 22h. O objetivo é reduzir o custo excessivo das termelétricas.
O governo mantém a aposta em 2 GW de capacidade de armazenamento a ser contratada por meio desse novo formato, além das térmicas originalmente previstas. O armazenamento permitiria guardar excedentes de energia quando a produção de fontes renováveis supera a demanda.
Especialistas destacam que a tecnologia ainda demanda ajustes regulatórios. A legislação atual prevê que os custos das baterias sejam arcados pelos geradores, o que pode inibir investimentos se não houver repasse aos consumidores.
Segundo representantes do setor, as baterias devem oferecer mais flexibilidade ao sistema, mas não substituem as usinas térmicas. A ideia é que as duas fontes atuem de forma complementar para assegurar o equilíbrio entre oferta e demanda.
Já a Frente Nacional dos Consumidores de Energia aponta possível incremento de tarifas. A entidade avalia que o megaleilão de março resultou em contratação excessiva de térmicas, elevando o custo para os consumidores.
O Ministério de Minas e Energia não comentou o assunto oficialmente. Em audiência na Câmara, o ministro em exercício, Gustavo Ataide, afirmou que é necessário aproveitar todas as fontes para manter a segurança do sistema.
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