- A tarifa de 25% proposta pelos EUA pode atingir cerca de 8,4 bilhões de dólares em exportações brasileiras para o mercado americano.
- Estima-se que 21% das exportações brasileiras para os Estados Unidos sejam afetadas pela medida.
- O Brasil exporta aproximadamente 40 bilhões de dólares por ano para os EUA; o efeito no PIB ficaria abaixo de 1%.
- Os setores mais expostos incluem aço, calçados e autopeças, com impactos também na cadeia produtiva e na arrecadação.
- O processo envolve audiências públicas e consultas até 15 de julho; negociações existem, mas uma reversão total é improvável.
O governo dos Estados Unidos propõe tarifas adicionais de 25% sobre centenas de produtos brasileiros, a partir de 15 de julho de 2026. A medida, segundo Washington, mira questões ambientais, de Pix e pirataria em áreas comerciais como a Rua 25 de Março. O Brasil pode perder até 8,4 bilhões de dólares em exportações para o mercado americano.
Especialistas ouvidos por VEJA indicam que cerca de 21% das exportações brasileiras aos EUA seriam afetadas pela sobretaxa. O Brasil costuma exportar aproximadamente 40 bilhões de dólares por ano para os Estados Unidos, o que projeta o impacto em torno de 8,4 bilhões de dólares.
Impacto macro e setorial
Apesar da variação, o efeito sobre o PIB tende a ser limitado. Exportações para os EUA representam entre 2% e 3% do PIB, e apenas 21% desse montante seria atingido pelas tarifas. Assim, o efeito potencial sobre a atividade econômica ficaria abaixo de 1%.
Segundo Marco Aurélio da Silva, a parcela afetada representa entre 0,42% e 0,63% do PIB. Ele ressalta que os setores de maior valor agregado, como aço, calçados e autopeças, podem sentir impactos mais fortes em contratos de exportação.
Efeitos na cadeia produtiva
Tatiana Migiyama, da FIPECAFI, aponta que os reflexos vão além dos exportadores. Padrões da cadeia produtiva, incluindo fornecedores, transportadoras e serviços logísticos, podem sofrer com a desaceleração. A economista também destaca efeitos fiscais decorrentes da menor atividade exportadora.
O governo brasileiro ainda pode tentar negociar. O processo prevê audiências públicas e consultas até julho de 2026, com participação do Brasil em 22 de junho e envio de manifestações por escrito até 1º de julho. A audiência está prevista para 6 de julho, e a decisão final para 15 de julho.
Perspectivas de negociação
Analistas veem espaço para flexibilizações setoriais, mas tratativas costumam ser complexas. A possibilidade de reversão completa do tarifaço é tida como improvável, mas ajustes em alguns itens podem ocorrer. As avaliações indicam que esforços brasileiros devem privilegiar aspectos comerciais.
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