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Por que o Pix brasileiro incomoda os EUA

EUA propõem taxação de 25% sobre produtos brasileiros, citando tratamento preferencial ao Pix, enquanto especialistas divergem sobre impacto no mercado de cartões

Governo americano classifica ferramenta como uma concorrência desleal; estudo da Harvard Kennedy School mostra que 1 em cada 11 pessoas no mundo já utiliza pagamentos instantâneos
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  • O governo dos EUA propôs taxação de 25% sobre produtos brasileiros, citando suposto favorecimento ao Pix e desvantagem para concorrentes americanos.
  • O Pix foi criado pelo Banco Central em 2018 e lançado em novembro de 2020; hoje é utilizado por 175,3 milhões de pessoas físicas, equivalente a 80% da população.
  • Através da USTR, os EUA dizem que o Pix oferece vantagens ao fabricante brasileiro líder e discriminaria fornecedores de pagamentos dos EUA.
  • Economistas divergem: estudo da Harvard Kennedy School indica que 1 em cada 11 pessoas no mundo já usa pagamentos instantâneos; críticos dizem que o temor americano é de impacto sobre o oligopólio de cartões, liderado por Visa e Mastercard.
  • Segundo especialistas, o Pix é irreversível e pode coexistir com cartões; há risco para Visa, Mastercard e também impactos em outras plataformas digitais como o WhatsApp Pay.

Na última segunda-feira, 1º, o governo dos Estados Unidos propôs taxar produtos brasileiros em 25%, sustentando que o Pix favorece pagamentos instantâneos em detrimento de modalidades eletrônicas. A medida visa reduzir a vantagem competitiva atribuída ao sistema brasileiro.

O Pix, desenvolvido pelo Banco Central em 2018 e lançado oficialmente em 2020, já é utilizado por 175,3 milhões de pessoas físicas, cerca de 80% da população. Ele substituiu modalidades como TED e DOC em muitos usos cotidianos.

A Procuradoria de Comércio dos EUA (USTR) classifica o Pix como concorrência desleal, alegando favoritismo e discriminação contra fornecedores norte-americanos. A justificativa aponta disponibilidade, visibilidade e limites de tarifas concedidos apenas ao Pix.

Economistas consultados pelo Estadão discordam da ideia de que o Pix cria concorrência desleal. Argumentam que o temor dos EUA está mais ligado ao impacto em um oligopólio de cartões, liderado por Visa e Mastercard, do que a vantagem do sistema brasileiro.

Para o analista Marco Saravalle, o Pix impulsionou a inclusão financeira e não prejudicou cartões de crédito. Ele vê as críticas como defesas de interesses de grandes grupos americanos, sem evidências de dano econômico direto ao mercado.

Perspectivas sobre impacto no mercado global

Estudos apontam que o Pix pode influenciar o fateado domínio de Visa e Mastercard à medida que mais países adotem pagamentos instantâneos. Pesquisa da Harvard Kennedy School, de maio do ano passado, indica que 1 em cada 11 pessoas no mundo já usa pagamentos instantâneos.

Segundo o pesquisador, a redução de custos do Pix para bancos torna inviável cobrar tarifas elevadas por transação. Não há sinal de que a pressão dos EUA altere o funcionamento do sistema brasileiro.

Outros efeitos e players observados

A adoção do Pix também impactou aplicações de atuação de empresas estrangeiras, como a Meta, com o WhatsApp Pay, cuja entrada no Brasil foi freada por regulações e análises regulatórias. O BC e o Cade justificaram a necessidade de avaliação prévia de concorrência.

As avaliações indicam que o Pix pode coexistir com o uso de cartões, promovendo maior atividade econômica. Especialistas destacam que não há base para caracterizar o Pix como anticompetitivo, mas reconhecem que seu impacto atravessa fronteiras comerciais.

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